Moçambique: FMI prevê “efeitos mínimos” para Moçambique em resultado da violência xenófoba na África do Sul

3 June 2008

Maputo, Mocambique, 03 Jun – A violência xenófoba na África do Sul terá “efeitos mínimos” na economia de Moçambique, afirmou segunda-feira em Maputo o representante do Fundo Monetário Internacional em Moçambique, Felix Fisher.

Moçambique tem cerca de 50 mil trabahadores nas minas de ouro da África do Sul pelos quais recebe anualmente cerca de 80 milhões de dólares.

Dizendo que ainda não foi estimado o prejuízo que a violência xenófoba na África do Sul causou na economia moçambicana, Fisher adiantou que as remessas dos emigrantes e dos emigrantes em geral têm uma importância limitada no rendimento nacional.

“O FMI ainda não tem uma estimativa sobre qual o prejuízo”, disse o representante do FMI, que acrescentou estar convicto que o impacto sobre a balança de pagamentos será diminuto.

O facto de o crescimento de a economia moçambicana ser dinamizado por outros indicadores – como os apoios dos doadores internacionais, os investimentos externos e internos, as exportações de matérias-primas e o incremento de receitas em sectores como o turismo – dá garantias de que o efeito da situação na África do Sul será marginal, acrescentou Felix Fisher.

Por exemplo, mais de metade do Orçamento de Estado tem origem nos doadores internacionais que não se cansam de apoiar o país, uma vez que Moçambique é tido como um bom aluno das políticas económicas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

Falando sobre o efeito para Moçambique da crise internacional nos combustíveis e na alimentação, Felix Fisher considerou o país “um dos melhores posicionados para resistir aos choques” provocados pela carestia do petróleo e dos cereais no mercado internacional.

A posse por Moçambique de reservas internacionais líquidas aptas a suportarem importações durante 8,2 meses e a existência de instrumentos capazes de amortecer o impacto da crise junto dos mais pobres conferem ao país maior capacidade de resistência, observou Fisher.

Para continuarem “no bom caminho”, as autoridades de Maputo devem resistir à tentação de alargar os subsídios dos combustíveis a outras classes de consumidores, limitando este encargo ao transporte público, a que os pobres recorrem.

Manter a prudência nos gastos orçamentais – sobretudo com a pressão do ciclo eleitoral que começa este ano e termina com as legislativas e presidenciais de 2009 – e dos aumentos salariais na função pública também é essencial para não perturbar o melhor ambiente macroeconómico que o país goza neste momento, disse ainda Felix Fisher. (macauhub)

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