Moçambique: Insatisfação com mercado leva portuguesa Iberol a abandonar plantações moçambicanas

19 June 2008

Lisboa, Portugal, 19 Jun – A empresa portuguesa Iberol abandonou as suas plantações de oleaginosas em Moçambique devido às “muitas dificuldades” encontradas, nomeadamente o furto de colheitas, afirmou quarta-feira em Lisboa o presidente do grupo Nutasa.

João Rodrigues adiantou à agência noticiosa portuguesa Lusa que a Iberol (Sociedade Ibérica de Biocombustíveis e Oleaginosas), que produz e comercializa óleos alimentares, só voltará a envolver-se em projectos do género em Moçambique ou Angola com instituições financeiras de apoio ao desenvolvimento, contemplando também uma componente social.

Além do furto de colheitas, que reduziam a rentabilidade das explorações agrícolas, a Iberol deparou-se com problemas em encontrar mão-de-obra qualificada e também com a inesperada concorrência da cooperação internacional.

Em Moçambique, referiu João Rodrigues, “chegam navios carregados de óleo [alimentar] oferecido pelos Estados Unidos, o que liquida as possibilidades da indústria local”.

O grupo Nutasa entrou nos países africanos de língua portuguesa no final de 2002, com a aquisição da Companhia Industrial do Monapo (CIM), ao grupo português Entreposto, por 8,5 milhões de euros.

Entre outros activos, a CIM tinha uma fazenda de 2.500 hectares, mas os objectivos da Iberol eram mais ambiciosos, passando por expandir a área de plantação para 50 mil hectares.

Em Moçambique, o grupo está ainda envolvido na pecuária e no fabrico de óleos e sabões. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH