Sonangol e angolanos maioritários na “joint-venture” com a Geocapital

23 June 2008

Lisboa, Portugal, 23 Jun – A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) e investidores angolanos terão a maioria do capital da Geopactum, a “joint-venture” com a Geocapital, “holding” que está ainda a negociar com a petrolífera estatal angolana a entrada no Banco Privado Atlântico.

Depois de em Janeiro deste ano a “newsletter” Africa Monitor ter avançado que a Geocapital, “holding” para investimentos nos países de língua portuguesa dos empresários Stanley Ho e Ferro Ribeiro, ultimava uma parceria com a Sonangol para alavancar a sua presença em Angola, esta semana soube-se que o Banco Privado Atlântico, controlado pela petrolífera, terá em breve capital de Macau.

“As negociações (sobre o BPA) estão em curso e o negócio pode ser concretizado a qualquer momento”, disse ao português Diário Económico o empresário Ferro Ribeiro.

O BPA é parceiro em Angola do Millennium Bcp, o maior banco privado português, que por sua vez conta com a Sonangol e Stanley Ho entre os seus maiores accionistas.

Nas declarações ao jornal português, Ferro Ribeiro adiantou que a Geocapital vai tornar Macau num pólo de captação de investimento asiático nos países de língua portuguesa em África como a Guiné-Bissau, onde a “holding” já tem presença no sector financeiro, ou em Moçambique, onde na semana passada concretizou a criação do Moza Banco.

“Vamos identificar as oportunidades de investimento mais interessantes em Moçambique e depois procurar estruturar operações em parceria com investidores internacionais, sobretudo de Macau, Hong Kong e China, com os quais nos sentimos mais à vontade”, adiantou Ferro Ribeiro.

Tal como no recém-criado banco moçambicano, na Geopactum a maioria do capital será local, angolano.

“Esta empresa será detida a 51 por cento por entidades angolanas e a 49 por cento pela Geocapital e vai desenvolver projectos nos sectores financeiro e energético”, adiantou o empresário da “holding”, que ainda este mês anunciou a intenção de investir perto de 40 mil milhões de dólares, até 2018, na produção de biocombustíveis na África lusófona.

A parceria entre a Geocapital e a Sonangol representou uma inflexão na estratégia inicialmente delineada para entrar no mercado angolano.

Antes da parceria com a petrolífera estatal e agora preponderante actor do sector financeiro, a Geocapital surgiu em Angola ligada ao BANC, de Kundi Paihama, onde deveria assumir uma participação de relevo, segundo a “newsletter” Africa Monitor.

Esta instituição financeira estava vocacionada para a comunidade chinesa, prevendo a intervenção em investimentos no sector privado, através de concessão de crédito ou tomada de participações.

A aproximação entre as duas partes deu-se no final do ano passado após, uma viagem a Luanda pelo presidente da Geocapital, Jorge Ferro Ribeiro.

A “holding” de Macau deu o primeiro passo no sector financeiro da África de língua portuguesa na Guiné-Bissau, onde comprou em meados de 2007, aos portugueses do Montepio Geral, 60 por cento do capital do Banco da África Ocidental (BAO), onde Ho e Ferro Ribeiro terão entre os seus associados o conhecido empresário guineense Carlos Domingues Gomes.

Apesar da pequena dimensão do mercado bancário guineense, o BAO apresenta a mais-valia de estar autorizado a abrir sucursais nos países-membros da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) – Benim, Burkina-Faso, Costa do Marfim, Mali, Níger, Senegal e Togo. (macauhub)

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