Guiné-Bissau: Guiné-Bissau é 2ª economia mais afectada pelo “choque” de preços de alimentos e petróleo – FMI

2 July 2008

Washington, Estados Unidos da América, 02 Jul – A economia da Guiné-Bissau é a segunda mais afectada pelo “choque” de preços internacionais de alimentos e petróleo que, pelo contrário, está a beneficiar Angola, revela um estudo terça-feira divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O estudo “O Impacto dos Choques de Preços de Alimentação e Combustíveis nas Balanças de Pagamentos dos Países Africanos de Baixos Rendimentos”, do Departamento Africano do FMI, conclui que o efeito da variação de custos nas contas guineenses é negativa num montante equivalente a 8,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) da Guiné-Bissau em 2007.

Na lista dos 18 países mais afectados, só a Eritreia surge em situação pior que a da Guiné-Bissau, com um impacto negativo equivalente a 15,3 por cento do PIB.

Dos países de língua oficial portuguesa incluídos na análise do FMI, apenas Angola sai a ganhar, pelo facto de ser um produtor de petróleo: o impacto na balança de pagamentos equivale a 37,2 por cento do PIB e 188,6 por cento das reservas internacionais.

No caso da Guiné-Bissau, o principal impacto resulta do encarecimento dos combustíveis – menos 7,6 por cento do PIB – resultando outros 1,1 pontos percentuais dos maiores gastos na importação de alimentos.

Os economistas da instituição financeira de apoio ao desenvolvimento calculam ainda que o impacto é equivalente a 31,5 por cento das reservas externas guineenses.

Face à situação, o FMI afirma estar a “considerar formas de aumentar o financiamento” à Guiné-Bissau e admite partir no final de 2008 para um acordo global de combate à pobreza (PRGF, na sigla inglesa), que tenha em conta o impacto do choque de preços.

A lista dos 18 países mais afectados inclui ainda a Libéria, Eritreia, Togo, Comoros, Malaui, Guiné-Conacri, Gâmbia, Serra Leoa, Madagáscar, Burundi, Etiópia, Burkina Faso, República Centro-Africana, Benim, Mali, Zimbabué e República Democrática do Congo.

Entre os países também afectados pela conjuntura inflacionista, mas com balança de pagamentos mais desafogada, estão Moçambique (perdas equivalentes a 3,8 por cento do PIB ou 24,3 por cento das reservas externas) e também São Tomé e Príncipe (menos 2,2 por cento do PIB e 8,9 por cento das reservas). (macauhub)

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