Macau: Brasil quer uma base em Macau para aumentar exportações para a China

8 July 2008

Macau, China, 08 Jul – Macau é uma peça fundamental para concretizar os objectivos do Brasil de aumentar as exportações para a China, disse segunda-feira em Macau o secretário do Comércio Exterior do Brasil, Welber Barral.

“A proximidade cultural entre o Brasil e Macau e a possibilidade logística do território como cidade de serviços está a ser divulgada no Brasil para que seja utilizada com a porta de entrada mais fácil para as empresas brasileiras no mercado chinês”, disse Welber Barral que esteve em Macau à frente de uma missão do governo brasileiro.

Welber Barral considerou ainda o papel do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, sedeado em Macau, como “importante na estratégia de aproximação económica entre o Brasil e a China através de Macau”.

O governo do Brasil anunciou em Junho um plano para triplicar as exportações para a China para 30 mil milhões de dólares anuais até 2010, através da venda de produtos de maior valor acrescentado.

O lançamento do plano denominado “Agenda China – Acções Positivas para as Relações Económicas e Comerciais Sino-Brasileiras” está a agora a ser divulgado na China nomeadamente em Macau, Guangdong, Xangai e Pequim.

No encontro com cerca de 200 empresários de Macau e do Delta do rio das Pérolas, Welber Barral revelou que o plano brasileiro para reforçar as relações com a China está assente em obras de infra-estruturas, empreendimentos relacionados com a logística (aeroportos e portos), a divulgação da zona franca de Manaus, onde estão concentrados investimentos em electrónica e teconologia de informação e ainda o dar a conhecer as zonas de processamento de exportação.

No ano passado, do total de importações brasileiras da China, 95,1 por cento foram produtos industrializados, que têm maior valor acrescentado do que os produtos básicos, e apenas 26,8 por cento de suas exportações foram de alto valor acrescentado.

Actualmente, 74 por cento das exportações brasileiras para a China são de produtos básicos, nomeadamente minério de ferro (34,5 por cento) e soja (26,3 por cento).

O plano do Governo brasileiro elegeu como prioritários 619 produtos industriais de 48 diferentes sectores, que representam quase 70 por cento das importações chinesas, ou seja, cerca de 637 mil milhões de dólares.

Dentre dessa lista prioritária de exportação para a China estão petróleo e derivados, metais não-ferrosos, papel e celulose, carnes de aves e suínos, instrumentos de precisão, ferramentas, tintas e farmacêuticos.

Nos primeiros seis meses deste ano, as exportações brasileiras para a China ascenderam a 7,4 mil milhões de dólares, um aumento de 50,7 por cento em relação ao mesmo período de 2007 e as importações brasileiras de produtos chineses somaram 8,95 mil milhões de dólares, um aumento de 71,7 por cento

O presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimento do Brasil (Apex), Alessandro Teixeira , que integra a missão brasileira anunciou entretanto, segundo o jornal Tribuna, estarem em curso contactos com o Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (Ipim) para estabelecer um escritório local destinado a “ser base para a entrada de mais empresas brasileiras no mercado de Macau”.

“Macau é muito mais do que uma plataforma para entrar na China. Macau assume, por si só, uma posição estratégica na região” disse o presidente da Apex.

O presidente da Apex, na sua qualidade de presidente da Associação Nundial de Promoção de Agências de Investimento (WAIPA, na sigla inglesa) prometeu diligenciar junto da organização para que a Feira Internacional de Macau (FIM) passe a estar incluida no calendário das feiras de investimento mundiais

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) anunciou em Junho que vai também abrir em breve uma representação em Macau para apoiar pequenas e médias empresas brasileiras que queiram actuar na República Popular da China. (macauhub)

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