Financiamento pela China de infra-estruturas em África é vital para estimular crescimento económico – Banco Mundial

14 July 2008

Washington, Estados Unidos da América,14 Jul – A China aplicou desde 2006 perto de 11,5 mil milhões de dólares no financiamento de vias de comunicação ou centrais hidroeléctricas na África sub-saariana que potenciam o crescimento económico dos países da região, afirma o Banco Mundial.

De acordo com o estudo “Fazer a ponte: O crescente papel da China como financiador de infra-estruturas na África sub-saariana”, apresentado em Washington no final da semana passada, o gigante asiático está neste momento a apoiar financeiramente a reconstrução de 1.350 quilómetros de caminhos-de-ferro e a construir mais 1.600 quilómetros de vias férreas novas, “um contributo importante para a rede ferroviária de 50 mil quilómetros existente no continente”.

Angola, Nigéria, Etiópia e Sudão – países ricos em recursos naturais – são receptores de cerca de 70 por cento do investimento chinês na África sub-saariana, mas o número de países abrangidos totaliza já 35.

“A história de sucesso da China na redução da pobreza através de um crescimento económico rápido e sustentado é notável. E o enorme investimento em infra-estruturas foi um factor-chave”, afirmou na apresentação do trabalho a vice-presidente do Banco Mundial para África, Katryn Ezekwesili Obiageli.

Hoje, adiantou, “o crescente envolvimento da China em África está a ajudar a lidar com o grande défice de infra-estruturas no continente. É claro que há desafios que terão de ser enfrentados pelos países africanos e pela China, em conjunto com o apoio dos parceiros de desenvolvimento. Mas, trabalhando juntos, podemos criar parcerias vencedoras para os dois lados”.

O défice de infra-estruturas na região custa aos países ali inseridos o equivalente a um ponto percentual de crescimento do produto interno bruto “per capita”.

De acordo com o Banco Mundial, antes de 2004, o investimento chinês na região não ia além dos mil milhões de dólares anuais, mas desde aí disparou.

No ano passado, rondou 4,5 mil milhões de dólares, depois de ter atingido o máximo histórico de sete mil milhões em 2006.
 
Dos cerca de 16 mil milhões de dólares avançados pela China, 10 por cento dizem respeito a projectos já concluídos, 25 por cento estão em andamento e 65 por cento estão contratualizados.

“A crescente cooperação Sul-Sul está a ser conduzida por fortes complementaridades entre China e África. A procura chinesa de recursos naturais tem paralelo nas reservas petrolíferas e minerais de África, significativas e muitas vezes desaproveitadas. A necessidade urgente de infra-estruturas em África tem paralelo na indústria de construção chinesa, competitiva à escala mundial”, afirmou a economista do Banco Mundial Vivien Foster, co-autora do relatório.

O estudo destaca que 10 dos projectos apoiados pela China em 3,3 mil milhões de dólares podem aumentar em 6.000 megawatts, 30 por cento, a capacidade de produção de hidro-electricidade do continente. 

Salienta ainda que normalmente os contratos de financiamento incluem uma concessão de 33 por cento, próximo do padrão mundial, ainda que os termos dos contratos com os países africanos variem substancialmente consoante os projectos.
 
Para Chuan Chen, co-autor e ex-professor de engenharia civil na Universidade chinesa de Tsinghua, “o desafio-chave é manter o ritmo para que sejam duradouros os resultados ao nível do desenvolvimento”.

Actualmente, apenas um em cada quatro africanos tem acesso a electricidade e as deslocações nas principais vias usadas para exportação levam duas a três vezes mais tempo do que na Ásia.

O maior envolvimento está a ter reflexos no comércio bilateral e Angola é actualmente de longe o maior parceiro comercial da China no continente, seguida da República do Congo, Guiné Equatorial, África do Sul e Sudão.

O maior envolvimento da China nas infra-estruturas surgiu numa altura em que os dadores ocidentais estavam concentrados no apoio social, nomeadamente no combate à sida ou malária.

O relatório do Banco Mundial sublinha também o papel, ainda que a uma escala mais pequena, de outros “novos” financiadores, como a Índia e os fundos de sdesenvolvimento árabes. (macauhub)

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