Moçambique: Indústria pesqueira em Moçambique à beira do colapso devido aos combustíveis

1 August 2008

Maputo, Moçambique, 01 Ago – A directora Nacional de Administração Pesqueira, Ivone Lichucha, afirmou quinta-feira em Maputo que 51 dos 59 barcos de pesca a motor registados em Moçambique abandonaram a faina devido à incapacidade dos armadores de adquirirem combustível.

Em declarações à agência noticiosa Reuters, Lichucha disse que a indústria pesqueira moçambicana está perto do colapso uma vez que o combustível, com os constantes aumentos de preço, tem um peso demasiado elevado na estrutura de custos além do que os barcos estão, na sua maioria, sem condições de operar.

A indústria de pesca contribui com cerca de 3 por cento para o Produto Interno Bruto do país mas o método mais comum, a pesca artesanal, garante a sobrevivência de mais de 100 mil famílias e contribui com alimentos para uma grande da população.

Lichucha disse que a receita da venda do principal produto pesqueiro de Moçambique, o camarão, caiu de 92 milhoões de dólares em 2006 para 78 milhões em 2007, o mesmo tendo acontecido à exportação de outros pescados, como camarão de águas profundas, gamba e kapenta.

Estas espécies marinhas juntamente com lagosta, caranguejo e lula são as principais exportaçoes de Moçambique para outros países africanos e Hong Kong, Japao, Itália, Espanha, Portugal e Reino Unido.

Ivone Lichucha disse ainda que o governo está negociar com os parceiros da cooperação internacional a obtenção de fundos para adquirir navios para a fiscalização da actividade de pesca ilegal ao longo dos 2500 quilómetros de costa.

Recentemente, as autoridades moçambicanas apreenderam o “Antillas Reefer”, um navio registado na Namíbia que levava nos seus porões 43 toneladas de tubarão, quatro toneladas de barbatanas de tubarão, 1,8 toneladas de caudas de tubarão, 11,3 toneladas de fígados de tubarão e 20 toneladas de óleo de tubarão, num valor conjunto de 5 milhões de dólares. (macauhub)

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