Guiné-Bissau: Encarecimento de alimentos e combustíveis preocupam FMI

5 August 2008

Washington, Estados Unidos da América, 05 Ago – O aumento dos preços dos combustíveis e dos produtos alimentares pode desequilibrar as contas públicas da Guiné-Bissau e mesmo criar situações de conflito social, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O FMI salienta, no mais recente relatório sobre o país, divulgado no final da semana passada, que a inflação e a subida do custo de vida das populações mais carenciadas pode colocar em causa as reformas estruturais acordadas e “progressos” recentes das autoridades na estabilização da situação fiscal em “circunstâncias difíceis”.

Fortemente dependente das importações de bens alimentares e energéticos, o encarecimento destes produtos nos mercados internacionais coloca sob pressão a situação fiscal e o défice corrente.

As autoridades guineenses responderam com medidas fiscais como a suspensão das tarifas alfandegárias, para aliviar o impacto sobre os pobres urbanos.

O FMI aplaude a medida de emergência, mas salienta que “as autoridades devem a longo prazo concentrar-se no aumento da produção agrícola doméstica, especialmente de subsistência, dada a limitada capacidade de usar `balões de oxigénio´”, além de procurar reduzir a dependência das taxas alfandegárias nas receitas globais.

Mas, porque tal implica uma perda de receitas, “será crítico o apoio atempado da comunidade de doadores” no equilíbrio das contas públicas, afirma o FMI.

Para o FMI, os principais riscos que enfrenta o actual programa de apoio à Guiné-Bissau são atrasos nas ajudas dos doadores, instabilidade social relacionada com o encarecimento de bens essenciais, e aumento de custos relacionados com as eleições.

No relatório, aponta-se para o final do ano o início das negociações acerca de um novo programa de redução da pobreza (PGRF, na sigla inglesa) e salienta-se o “empenho” demonstrado por Bissau em conseguir atingir o ponto de conclusão do programa de perdão da dívida (HIPC). (macauhub)

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