Novo Palácio Administrativo de Bissau erguido com apoio da China

1 September 2008

Bissau, Guiné-Bissau, 01 Set – O novo Palácio Administrativo da Guiné-Bissau é o próximo edifício a ser erguido na capital guineense pela cooperação chinesa, historicamente ligada à construção de edifícios públicos emblemáticos, como o da Assembleia Nacional Popular.

A primeira pedra do novo complexo administrativo, que tem um custo estimado de 22 milhões de dólares, foi lançada na semana passada, numa cerimónia que foi presidida pelo chefe do Estado guineense, João Bernardo Vieira, e que contou com a presença do novo primeiro-ministro, Carlos Correia, e outros governantes, além de representantes diplomáticos acreditados em Bissau.

O embaixador da China na Guiné-Bissau, Ian Ban Ghua, citado pela agência Panapress, afirmou que o Palácio é o maior projecto de cooperação entre os dois países, cujas relações datam dos primeiros tempos de independência guineense (1975) e têm vindo a intensificar-se nos últimos anos.

Ian Ban Ghua considerou favorável o actual estado das relações com a Guiné-Bissau, com o qual se congratulou perante os dignitários guineenses e estrangeiros.

O complexo será erguido em Brá, perto da periferia de Bissau, no âmbito de um acordo assinado a 20 de Fevereiro entre os dois governos, e é composto por três edifícios de dois andares cada, que albergarão 13 departamentos governamentais.

O apoio da cooperação chinesa na construção das novas instalações enquadra-se no objectivo de melhorar o funcionamento das instituições públicas guineenses, país que apresenta dos mais baixos índices de desenvolvimento humano (IDH) do mundo, e que vive hoje pacificamente, depois de ter experimentado diversos momentos de convulsão social e mesmo militar nos últimos anos.

O actual presidente da Guiné-Bissau, “Nino” Vieira, tem vindo a assumir-se como adepto da intensificação das relações com a China, apelando publicamente a um maior investimento de Pequim no seu país.

Uma das suas primeiras visitas ao estrangeiro após o regresso ao poder (2005) foi justamente à China, onde manteve contactos com o presidente chinês Hu Jintao, antes de participar na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do Fórum de Cooperação Sino-Africano.

Numa outra visita em 2006, “Nino” voltou da China com o compromisso de construção de um Hospital Militar, do novo Palácio da Justiça, e da barragem do rio Geba, em Saltinho, 200 quilómetros a sudeste de Bissau.

Pequim atribuiu também à Guiné-Bissau cerca de 10 milhões de dólares para ajuda ao desenvolvimento, donativos de cereais no valor de quase 1,5 milhões de dólares e um donativo de 1,1 milhões de dólares para o Orçamento Geral do Estado guineense.

No âmbito da Educação, Pequim colocou no ano passado à disposição da Guiné-Bissau 100 bolsas de estudo para formação de quadros guineenses, sobretudo nas áreas de Economia, Política, Agricultura, Saúde e Educação, em instituições de ensino chinesas, deixando em aberto a possibilidade de futuramente alargar o programa.

Foi ainda assinado um protocolo de apoio financeiro da China à Guiné-Bissau, no valor de quatro milhões de dólares, para pagar aos funcionários públicos guineenses, uma medida chave na estabilização de um país com a economia formal praticamente paralisada e que enfrenta sérias dificuldades para responder aos seus compromissos orçamentais.

A actividade da cooperação chinesa estende-se ainda aos domínios da Agricultura e também da Defesa, onde estão a ser recuperadas instalações militares na capital, Bissau, além de residências para os oficiais das Forças Armadas.

Bissau tem vindo a pedir apoio também para a recuperação do Palácio da República, danificado pelos bombardeamentos da Guerra Civil de 1998/99, construção de mil casas de habitação social e ainda para os projectos da ponte sobre o rio Farim, no norte do país, do porto de águas profundas em Buba (sul de Bissau) e para a reconstrução das estradas Buba-Catió e Quebo-Cacine (sul). (macauhub)

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