Moçambique: Maior risco para a economia moçambicana é a falta de financiamento para grandes projectos

9 January 2009

Lisboa, Portugal, 9 Jan – A falta de financiamento para os chamados “mega-projectos” moçambicanos, como a barragem de M´panda Nkua, devido à actual crise financeira, é hoje o “maior risco para o crescimento da economia moçambicana”, de acordo com os economistas do banco português BPI.

Entre os projectos em causa, salientam os economistas do BPI no relatório periódico sobre a actividade económica em Moçambique, divulgado quarta-feira à noite, estão M´panda Nkua, que deveria arrancar no início de 2009, e a extensão da rede eléctrica em 1.400 quilómetros, além da expansão da capacidade produtiva da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), que implica um investimento de 1.000 milhões de dólares.

“Os projectos que deverão ser levados avante serão aqueles que já se encontrem em execução ou que possuam financiamento assegurado”, como os de construção de um oleoduto entre o porto de Maputo e a África do Sul e a expansão do gasoduto existente entre os dois países, referem no relatório.

Já praticamente suspensos estão os investimentos no projecto de extracção de titânio de areias pesadas, “devido a dúvidas quanto à sua viabilidade económica”, e também no de construção de uma refinaria pela multinacional Arcelor Mittal.

Apesar deste cenário, salienta o BPI, o crescimento do PIB moçambicano acelerou 2,1 pontos percentuais no segundo trimestre do ano passado, para 5,3 por cento, de acordo com os últimos números disponíveis.

Ao nível dos preços, a tendência é de subida, com a taxa de inflação a situar-se em 15,26 por cento em Outubro, depois de ter rondado 16 por cento em Setembro.

“Esta tendência de aceleração dos preços deve-se na maior parte ao aumento do preço dos bens alimentares”, afirma o BPI, que espera uma redução da inflação, dada a “queda acentuada dos preços energéticos e alimentares nos mercados internacionais”, relacionada com a recessão global.

Para os economistas do banco português, que em Moçambique é um dos principais accionistas do BCI Fomento, o cenário de recessão global não deverá ter efeitos significativos sobre o investimento no país. (macauhub)

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