Angola: “A expansão angolana está ameaçada” – Economist Intelligence

30 January 2009

Lisboa, Portugal, 30 Jan – A economia angolana vai contrair-se este ano, devido à quebra acentuada da produção e do preço do petróleo, voltando a crescer em 2010, afirma a Economist Intelligence Unit (EIU) no seu mais recente relatório sobre o país.

“Depois de cinco anos de crescimento económico sustentado, alimentado pelo aumento da produção de petróleo, recordes dos preços internacionais e grandes fluxos de investimento estrangeiro, a expansão angolana está ameaçada. A causa principal da retracção é, ironicamente, a fonte da riqueza angolana: as suas substanciais exportações petrolíferas”, refere o relatório citado pela agência noticiosa portuguesa Lusa.

A EIU “espera que o efeito combinado de menores receitas das exportações petrolíferas, quebra no investimento estrangeiro e abrandamento do investimento público arraste o PIB real para um crescimento negativo pela primeira vez desde 1993”.

O último relatório do economista-chefe do Banco Mundial sobre a economia angolana, divulgado quarta-feira, aponta como cenário mais provável uma recessão este ano em Angola.

O crescimento do sector não-petrolífero, diz Ricardo Gazel, mostra-se insuficiente para compensar a quebra nas exportações petrolíferas, grande fonte de receitas do país, que ao longo de 2008 atingiram máximos históricos graças aos preços-recorde da matéria-prima.

As estimativas dos diversos organismos apontam o sector petrolífero como fonte de entre 85 por cento e 90 por cento das receitas angolanas.

Os actuais números da EIU indicam que em 2008 o crescimento do PIB angolano ascendeu a 13,2 por cento, mas que este ano deverá cair para terreno negativo, menos 2,3 por cento, recuperando para 6,2 por cento no próximo ano, “em linha com o aumento da produção petrolífera e à medida que os anteriores cortes de produção são aliviados”.

As exportações petrolíferas angolanas terão rondado 1,9 milhões de barris diários no ano passado, novo máximo histórico, quando em 2003 se ficavam por 878 mil barris.

No ano passado, diz a EIU, o valor das receitas de exportações rondou 67 mil milhões de dólares.

Integrado no grupo de publicações britânico The Economist, o gabinete de estudos EIU assina análises e previsões regulares sobre mais de 200 países de todo o mundo e seis indústrias “chave”. (macauhub)

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