Moçambique: Investimentos na área da energia escapam à crise financeira

5 March 2009

Maputo, Moçambique, 5 Mar – O ministro da Energia, Salvador Namburete, disse quarta-feira em Maputo desconhecer qualquer eventual desistência dos grandes e pequenos projectos em carteira no sector em resultado da actual crise financeira mundial.

Falando em conferência de imprensa sobre a realização de um seminário sobre biocombustíveis em África, a decorrer em Maputo, entre quinta e sexta-feira, o ministro indicou que os projectos no sector da energia continuam a ser desenvolvidos “dentro dos prazos estabelecidos” e apresentou como exemplo o facto de o Governo continuar a trabalhar com os proponentes do projecto para a construção da futura barragem de Mpanda Nkwa.

“Hoje (quarta-feira) mesmo afirmaram que os primeiros 50 milhões de dólares já haviam sido desembolsados. É verdade que é um projecto de refinaria cujo valor global é de 8 mil milhões de dólares, mas se há um financiador que liberta, nesta altura, 50 milhões de dólares para se financiar algumas das fases do projecto é um sinal de que ele não está abandonado”, disse o ministro.

O ministro moçambicano reagia às previsões de organismos internacionais que dão conta de uma eventual redução de investimentos em diferentes áreas, em consequência da crise financeira global.

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa as projecções de crescimento económico de Moçambique, que deverá situar-se em 5,5 por cento este ano e 5,4 por cento em 2010, em consequência do “impacto da crise económica” mundial.

Segundo o FMI, a crise financeira mundial “vai resultar numa redução dos investimentos” e “alargar a incerteza quanto à provisão da ajuda oficial ao desenvolvimento”.

No seu mais recente relatório sobre a actividade económica em Moçambique, o banco português BPI indica que, face à actual crise de crédito global, a falta de financiamento para os chamados “mega-projectos” é hoje o “maior risco para o crescimento da economia moçambicana”.

Entre os projectos em causa, salientam os economistas do BPI no mesmo relatório, estão a barragem M´panda Nkua, que deveria arrancar no início deste ano, e a extensão da rede eléctrica em 1.400 quilómetros, além da expansão da capacidade produtiva da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), que implica um investimento de mil milhões de dólares (795 milhões de euros).

Em dúvida está também a construção de outra siderurgia em Maputo, um projecto avaliado em dois mil milhões de dólares, bem como “vários projectos de extracção mineira liderados por empresas de menor dimensão, devido à sua situação mais vulnerável”.(macauhub)

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