Angola: Economia deverá contrair três por cento com a crise segundo estudo do BPI

6 March 2009

Lisboa,Portugal 06 Mar- A economia angolana deverá sofrer uma contracção de 3,0 por cento este ano, em vez do crescimento de 11,8 por cento inicialmente previsto pelo Governo, estimam economistas do BPI num estudo publicado quinta-feira em Lisboa.

As previsões do gabinete de estados económicos do BPI são mais negativas que as do Fundo Monetário Internacional (FMI), que em Outubro previa uma evolução de 4,0 por cento mas já admitiu, posteriormente, que pode não crescer, e até das previsões de contracção de 2,3 por cento do Economic Intelligence Unit (EIU) feitas em Janeiro.

A taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) angolano prevista pelo Governo para 2009 era de 11,8 por cento, já em desaceleração face aos 15,6 projectados para 2008, mas perante a crise internacional também “as autoridades já reconheceram que será inferior” a essa projecção, refere o estudo.

Como destacam os economistas do BPI, “a economia angolana sofrerá as consequências do presente arrefecimento global”, mesmo que atenuadas pela “pouco expressão do mercado financeiro, reduzida exposição financeira ao exterior e reduzidas necessidades de financiamento”.

A “resistência e robustez entre sectores não petrolíferos”, com anúncio de
novos projectos agrícolas, da indústria e na construção, são destacados pelo gabinete de estudos económicos e financeiros do banco BPI.

Estes indicadores são determinantes no quadro macroeconómico e podem levar a revisões do projectado pelo Governo para 2009, em que a produção petrolífera prevista cresce de 693,6 milhões de barris anuais para 739,7 milhões, mas com o preço para exportação a baixar dos 97,08 dólares para 55 dólares o barril.

As previsões do BPI são de uma travagem ou crescimento negativo de 14 por cento do sector petrolífero e uma progressão de 12 por cento do sector não petrolífero.

A despesa pública vai sofrer uma pressão negativa perante esta descida das receitas petrolíferas, mesmo com “as receitas excedentárias dos últimos anos a permitirem às autoridades manter os principais programas de investimento”.(macauhub)

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