Timor-Leste: Grupo independente vai analisar centrais eléctricas vendidas pela China

20 March 2009

Díli, Timor-Leste, 20 Mar – O primeiro-ministro de Timor-Leste anunciou segunda-feira no parlamento que o governo vai nomear um grupo independente para analisar o impacto ambiental e efectuar uma avaliação tecnológica às três centrais eléctricas em segunda mão adquiridas à China.

José Ramos-Horta disse ser necessário dar resposta às preocupações levantadas por grupos ambientalistas e organizações não-governamentais bem como analisar o negócio de 400 milhões de dólares que foi efectuada com a China para a aquisição das centrais eléctricas.

Grupos ambientalistas e organizações não-governamentais bem como a Fretilin, na oposição, têm criticado a aquisição das centrais e mencionado irregularidades nos contratos assinados com a estatal Chinese Nuclear Industry 22nd Construction Company.

Argumentam que nos termos do contrato Timor-Leste será obrigado a importar óleo pesado durante pelo menos três décadas para alimentar as centrais que têm por base uma tecnologia difícil de controlar e que já foi abandonada em muitos países devido a questões ambientais.

La’o Hamutuk, uma organização nao-governamental em Díli, afirmou que as centrais que funcionaram durante mais de duas décadas na China irao criar chuvas ácidas, poluir as águas, gerar desperdícios tóxicos sólidos e gerar poluição atmosférica.

O contrato assinado em 2008 com a China Nuclear Industry 22nd Construction Company (CNI22) prevê a construção de duas centrais eléctricas de combustível pesado no norte de Timor-Leste com uma potência de 120 MW e no sul com uma potência de 60 MW, a expansão da rede eléctrica com novas linhas de alta tensão com 750 km e a construção de 10 subestações eléctricas. (macauhub)

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