Cabo Verde: Uma história de sucesso africana numa economia dependente do exterior – Standard & Poor´s

6 April 2009

Nova Iorque, Estados Unidos da América, 6 Abr – Cabo Verde é “uma história de sucesso africana”, sobretudo pela estabilidade e funcionamento das instituições, mas também uma economia muito dependente do exterior que, por isso, sofrerá com a actual crise, afirma a Standard & Poor´s.

“As instituições políticas e a estabilidade cabo-verdianas estão entre as mais fortes de África e são uma boa plataforma para enfrentar os desafios relacionados com os desequilíbrios da economia. As autoridades demonstram forte e sustentado empenho na reforma económica, que contribuiu para uma robusta expansão económica nos últimos anos”, refere a agência internacional de notação de crédito no seu mais recente relatório sobre o arquipélago, datado de Março.

Nos últimos três anos, sublinha, a média de crescimento económico anual foi de seis por cento, o dobro do ritmo projectado para os próximos anos, mas as contas nacionais e fiscais tendem a ser “mais voláteis” dada a “natureza pequena e pouco diversificada” da economia.

Os níveis de prosperidade, uma medida da capacidade de absorção de choques exógenos são considerados “relativamente altos”, com um PIB “per capita” na ordem de 3.485 dólares.

Para o “rating” atribuído à dívida cabo-verdiana (B+ com perspectiva de estabilidade) contribui a estabilidade e os “elevados indicadores de desenvolvimento humano”, bem como a “constância” monetária, relacionada com a indexação da moeda local ao euro, e ainda a melhoria da gestão fiscal.

Pela negativa, a S&P destaca os “grandes desequilíbrios externos”, que “reflectem em parte a estreiteza da economia”, e ainda o elevado nível de endividamento.

O país, salienta, “depende de importações para suas necessidades básicas, tais como alimentos e petróleo, cujos preços têm subido nos últimos anos. As exportações são limitadas e o rápido crescimento dos projectos de turismo (…) têm impulsionado o crescimento das importações“.

A posição global da balança de pagamentos é “sustentável” graças ao grande investimento directo estrangeiro (IDE) e remessas da diáspora cabo-verdiana.

“No entanto, à medida que a economia mundial desacelera, aumenta o risco de que essas entradas possam vacilar, criando pressão sobre a balança de pagamentos”, adianta.

Apesar de “progressos significativos na redução do endividamento”, em 2009, a dívida do governo deverá rondar 61 por cento do PIB, o que compara com uma média de 36 por cento para países com notação igual.

Cabo Verde apresenta-se assim “altamente vulnerável a choques externos”, mas num contexto de melhoria das perspectivas económicas e de boa gestão económica.

Ao nível empresarial, e mesmo com os esforços governamentais, o país surge mal classificado na lista dos negócios do Banco Mundial, nomeadamente devido à rigidez do mercado laboral.

Além disso, as autoridades deparam-se com os desafios de “combater a criminalidade e o grande desemprego” (18 por cento em 2007) e, a nível económico, a redução da pobreza e criação de oportunidades para a população.

No futuro, espera-se que o governo continue a melhorar a gestão das finanças públicas. (…) À medida que o abrandamento económico global se aprofunda, a necessidade de melhorar a competitividade económica do país será fundamental. Isto incluiria reduzir a rigidez do mercado de trabalho, caracterizada por grandes salários e as dificuldades na contratação e despedimento”, afirma a S&P.

As oportunidades para o arquipélago surgem na forma da adesão à Organização Mundial do Comércio, da parceria com a União Europeia, importantes estímulos à economia, e também da criação em Cabo Verde de uma das zonas de comércio livre da China em África, o que a agência de “rating” dá por adquirido.

“Cabo Verde é um dos seis países do continente Africano que vai acolher uma zona de livre comércio chinês, onde as empresas chinesas irão armazenar as suas mercadorias antes da distribuição em todo o continente. Sabe-se que as negociações continuaram em 2008. A realização desses projectos poderia ter um impacto positivo sobre o crescimento futuro do país”, frisa. (macauhub)

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