Flexibilidade no kwanza e exigência nas reservas bancárias é resposta das autoridades de Angola à nova conjuntura

27 April 2009

Luanda, Angola, 27 Abr – As autoridades angolanas responderam na semana passada à nova conjuntura financeira flexibilizando a gestão da cotação do kwanza mas aumentando a exigência aos bancos no que toca a reservas de moeda estrangeira.

A subida dos requisitos de reservas bancárias – de 20 para 30 por cento – pelo Banco Nacional de Angola foi recebida como uma medida para conter a especulação sobre a moeda nacional, o kwanza.

A moeda tem estado sob forte pressão nos últimos meses, devido à continuação dos baixos níveis do preço do petróleo e demais matérias-primas, fonte da quase totalidade das exportações angolanas.

Depois de ter estado praticamente dois anos “colado” ao dólar a uma cotação de 75 kwanzas, a moeda angolana tem sido negociada nas últimas semanas na casa dos 79 kwanzas.

O anterior governador do Banco Nacional de Angola, Amadeu Maurício, entretanto substituído por Abraão Gourgel, não era defensor da desvalorização do kwanza e aplicou mais de cinco mil milhões de dólares em reservas estrangeiras para defender a moeda angolana no mercado cambial nos últimos meses.

Esta política, conjugada com a forte diminuição das receitas petrolíferas, levou a uma quebra das reservas angolanas, de 18,9 mil milhões de dólares (2008) para cerca de 13 mil milhões de dólares este mês, de acordo com dados do Banco Nacional de Angola.

Para Michael Hugman, analista do sul-africano Standard Bank, a subida dos requisitos de reservas equivale a um aumento das taxas de juro, visando “restringir as condições monetárias domésticas”.

“Torna mais caro tomar posições de curto prazo em kwanzas. Também vai ajudar a moderar a inflação e parece ser uma medida muito sensata e consistente por parte do banco central”, comentou o analista.

Inflectindo em relação à estratégia do anterior governador, o BNA desvalorizou a cotação oficial do kwanza em mais de cinco por cento na semana passada, para 79 kwanzas por dólar.

Esta cotação corresponde à previsão feita em Março pelos analistas do banco sul-africano Absa (grupo Barclays), mas o Standard Bank acredita que será necessário ir mais longe, até aos 85 kwanzas por dólar, para evitar uma continuação da quebra das reservas estrangeiras.

O ministro da Economia, Manuel Nunes Júnior, considerou “normal” uma “ligeira” desvalorização e afirmou que no futuro a cotação da moeda angolana será “flexível, mas controlada”.

“Está fora de questão deixar o kwanza flutuar livremente”, disse à imprensa angolana na semana passada. (macauhub)

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