Senado do Brasil aprova parceria com Moçambique nos biocombustíveis

1 June 2009

Brasília, Brasil, 01 Jun – O Senado brasileiro aprovou a parceria com Moçambique para a produção de biocombustíveis, que pode fazer do país africano um importante produtor e, tal como em Angola, já há empresários brasileiros no terreno a preparar investimentos.

Para o director executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) brasileira, Eduardo Leão de Sousa, o acordo entre o Brasil e Moçambique “poderá ser um dos mais bem-sucedidos acordos desta natureza, dadas as afinidades geográficas e culturais entre os dois países”.

O memorando de entendimento, assinado entre os dois governos em 2007, foi finalmente aprovado no Senado a 12 de Maio passado.

Instrumento da estratégia brasileira de fomentar internacionalmente o uso de biocombustíveis baseados nas suas tecnologias, o documento prevê missões técnico-empresariais, formação de mão-de-obra e parcerias com países terceiros e organismos internacionais interessados em apoiar projectos de implantação dos biocombustíveis em Moçambique.

Mas, mesmo antes da aprovação do documento, os empresários brasileiros já estavam no terreno a avaliar as condições de investimento no cultivo e refinação, segundo relata a Unica.

Líder mundial na produção de etanol a partir de cana-de-açúcar, o Brasil promete ajudar a produção moçambicana, importante na redução da factura de importação de combustíveis a ganhar potencial de exportação.

Moçambique pode exportar etanol para a Europa sem as sobretaxas impostas ao Brasil: se os seus produtores se instalarem e venderem a partir de Moçambique, podem atingir com preços mais competitivos o mercado europeu e também o asiático.

Além disso, Moçambique tem três portos por onde pode ser exportada a produção, uma localização geográfica estratégica, bem como aproximadamente 30 milhões de hectares de terras aráveis e férteis.

O país africano, salienta a Unica, “está situado na mesma faixa de latitude das áreas de lavoura brasileiras mais competitivas de cana-de-açúcar” e as três regiões escolhidas pelo governo de Maputo para produção de etanol, têm “todas clima parecido com o do Brasil”.

A Política e Estratégia Nacional de Biocombustíveis, recentemente aprovada por Maputo, visa a produção de biocombustíveis a partir de cana-de-açúcar e sorgo, para produção de etanol e de jatrofa (pinhão manso) e coco para biodiesel.

Angola assume um papel pioneiro na intervenção do Brasil para estimular a produção dos biocombustíveis nos países africanos de língua portuguesa.

Em parceria com o grupo privado angolano Damer e a estatal petrolífera Sonangol, a brasileira Odebrecht participa na Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom), que vai investir na plantação de cana-de-açúcar e construção de uma fábrica para produzir açúcar, etanol e bioelectricidade na província de Malanje.

Estão previstos investimentos de 258 milhões de dólares e a ocupação de 30 mil hectares de área agrícola, até 2012.

Paralelamente, toda a estrutura de pesquisa agropecuária de Angola, sector em que o país possui reconhecidamente elevado potencial, está actualmente a ser repensada com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Outro “player” neste sector e nestes países é a Geocapital, “holding” dos empresários Stanley Ho e Ferro Ribeiro para investimentos nos países de língua portuguesa.

O plano de implantação em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau em como horizonte 2018 e implica um investimento de até 40 mil milhões de dólares, segundo a “holding”. (macauhub)

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