Investimento público será motor do crescimento económico em Cabo Verde durante a crise

29 June 2009

Praia, Cabo Verde, 29 Jun – O “forte” investimento público em grandes infra-estruturas, sobretudo estradas e portos, será o motor de crescimento económico de Cabo Verde durante o actual período de crise, de acordo com o Banco de Cabo Verde.

O cenário é traçado no último relatório do banco central ao governo, datado de Maio, em que as expectativas de crescimento económico para 2009 são substancialmente revistas em baixa, de sete por cento para um intervalo entre 4,7 e 5,7 por cento, baseados “numa política anti-cíclica baseada em forte investimento público”.

“Com a crise de liquidez nos mercados financeiros a condicionar a evolução do investimento estrangeiro, será o investimento público a principal alavanca de crescimento económico”, refere o documento.

Em causa, adianta, estão grandes infra-estruturas propostas no Orçamento de Estado cabo-verdiano para este ano, sobretudo no domínio da construção de estradas e expansão de portos.

Resultado da política de consolidação orçamental dos últimos anos, o governo cabo-verdiano dispõe de uma “almofada orçamental” que permite “amenizar” os impactos adversos da conjuntura externa.

A taxa média de crescimento do investimento público ao longo do ano deverá situar-se entre 7,8 e 8,1 por cento, compensando a deprimida componente privada.

“O comportamento do investimento privado encontra-se condicionado pelas perspectivas de evolução do mercado, quer interno quer externo, quando se constata uma queda das expectativas dos agentes económicos e a manutenção de condições de financiamento desfavoráveis, não obstante a trajectória de descida que se regista nas taxas de juro”, adianta.

A componente de bens de construção demonstra ser a principal responsável pelo abrandamento do ritmo de crescimento do investimento privado, sentido desde Janeiro.

O investimento privado estrangeiro caiu no primeiro trimestre para 2.013 milhões de escudos contra 5.496 milhões no período homólogo do ano passado.

“A crise de liquidez nos mercados financeiros globais continua a condicionar a evolução do IDE, dado o aumento da aversão ao risco”, refere o banco central.

O BCV salienta que o peso do investimento no PIB cabo-verdiano tem crescido – de cerca de 45 por cento em 2006 para 51 por cento em 2008 – “em grande parte” devido aos investimentos do sector público na construção de obras públicas.

Os dados apresentados pelo BCV apontam também para uma quebra do consumo das famílias cabo-verdianas, devido à “maior exigência na concessão de crédito, a evolução desfavorável no mercado do trabalho e a previsão de queda nas remessas de emigrantes”.

O ritmo de crescimento das importações está a recuar e compõe o quadro negro da procura interna, mas também as exportações deverão registar um recuo em 2009, de acordo com as projecções do banco central.

“A evolução da procura externa estará condicionada pelo comportamento das exportações, com destaque para o abrandamento previsto das exportações de serviços”, adianta o relatório ao governo.

Por enquanto, sublinha, os “níveis de incerteza” continuam a ser “particularmente elevados, nomeadamente no que se refere à magnitude e à persistência da queda da economia global bem como ao impacto das medidas governamentais”.

De positivo, a crise parece ter trazido apenas o abrandamento da pressão inflacionista, descendo a taxa de inflação média anual no intervalo estabelecido de 1 a 2 por cento, em linha com o comportamento dos preços internacionais. (macauhub)

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