Concorrência desleal do sector informal prejudica negócios em Moçambique

30 June 2009

Maputo, Moçambique, 30 Jun – A concorrência desleal entre os sectores formal e informal constitui o principal obstáculo para o desenvolvimento da actividade empresarial em Moçambique, pode ler-se num relatório do Banco Mundial segunda-feira divulgado em Maputo.

O estudo, apresentado por José Reis, quadro superior do Banco Mundial, refere que a concorrência movida pelo sector informal consegue superar outros obstáculos para a realização da actividade empresarial, como o acesso ao financiamento e características das infra-estruturas, questões que normalmente estão no topo da lista dos principais impedimentos à realização da actividade económica em África.

“A nossa interpretação deste resultado é que a concorrência informal é, em parte, um dos desafios para o quadro regulador do funcionamento das actividades económicas e da qualidade da governação em Moçambique”, disse José Reis.

O estudo intitulado “Análise do Clima de Investimento em Moçambique”, elaborado com base num inquérito feito a 600 empresas nas cidades de Maputo, Matola, Beira e Nampula, aponta ainda como outros obstáculos para o desenvolvimento da actividade empresarial o crime, elevadas taxas tributárias, corrupção, electricidade, transportes, instrução da força de trabalho, licenciamento e alvarás.

Reagindo aos resultados do relatório, o representante da Confederação das Associações Económicas (CTA), Kekobad Patel, afirmou que a divulgação do relatório mostra uma viragem nas actividades do Banco Mundial em Moçambique.

“É a primeira vez que o Banco Mundial divulga um estudo sobre aspectos da micro-economia. Os aspectos meramente empresariais não mereciam destaque por parte do banco, contrariamente ao que acontece neste relatório”, disse.

Kekobad Patel acrescentou que o sector privado tem vindo a manter um diálogo com o Governo há mais de dez anos para que se ultrapassem problemas similares aos identificados no relatório do Banco Mundial, “só que a velocidade a que as reformas são feitas faz com que Moçambique se classifique nos últimos lugares das listas internacionais de competitividade empresarial”. (macauhub)

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