Crise financeira mundial já está a afectar negativamente Moçambique

1 July 2009

Maputo, Moçambique, 1 Jul – A crise financeira mundial já chegou a Moçambique com a balança corrente a registar até Março último um défice de 316,3 milhões de dólares, de acordo com dados provisórios divulgados pelo Banco de Moçambique, citados pelo jornal Notícias, de Maputo.

Em conferência de imprensa, o administrador do banco com o pelouro de Estudos, Contabilidade e Documentação, Waldemar de Sousa, referiu-se à evolução dos preços médios internacionais das principais mercadorias com impacto na economia moçambicana durante o mês de Maio passado, tendo realçado que o preço do gás natural conheceu um decréscimo de 25 por cento, o ouro viu o seu preço baixar em 3,5 por cento, enquanto que o arroz registou um decréscimo mensal de 7,7 por cento.

Ainda no mesmo mês, o preço do alumínio conheceu uma variação positiva de 7 por cento, o açúcar viu o seu preço aumentar em 3,85 por cento, o incremento do preço do trigo foi de 1 por cento, enquanto que o preço do algodão registou um aumento de 10 por cento.

Ainda de acordo com Waldemar de Sousa, o saldo das reservas internacionais líquidas do país era de 1.539,1 milhões de dólares em finais de Março, o que corresponde a uma perda total de 104.1 milhões de dólares nos primeiros três meses de 2009.

“Desde o ano passado que estamos a observar uma maior pressão sobre as reservas internacionais, porque as nossas exportações estão a cair e também porque o acesso ao financiamento externo está mais dificultado. As nossas reservas internacionais existem exactamente para enfrentar momentos de crise”, disse Waldemar de Sousa.

O administrador do banco central afirmou que o Governo, em parceria com o BM, estão a tentar localizar fontes de financiamento adicionais que acabarão por se reflectir positivamente no nível de reservas internacionais do país.

“Não ficamos satisfeitos quando vemos o nosso nível de reservas internacionais a desgastar-se. Isto traduz as dificuldades conjunturais que as economias nacional e internacional estão a atravessar. O governo já solicitou ao Fundo Monetário Internacional o acesso à Facilidade de Choques Exógenos, de cerca de 170 milhões de dólares”, disse. (macauhub)

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