Moçambique tem as maiores taxas de crescimento em África entre os países não-produtores de petróleo

1 July 2009

Maputo, Moçambique, 1 Jul – Moçambique tem conseguido atingir as mais elevadas taxas de crescimento económico para um país não-produtor de petróleo em África ao longo da última década e meia, de acordo com o relatório da Comissão Nacional do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP).

A ser apresentado pelo Presidente da República, Armando Guebuza, no encontro da União Africana a realizar-se na cidade de Sirte, na Líbia, o relatório diz que durante aquele período o crescimento económico de Moçambique atingiu uma média de oito por cento entre 2000 e 2006, mas baixou ligeiramente para 7,3 por cento em 2007.

O Produto Interno Bruto (PIB) “per capita” cresceu a uma taxa média de 5,9 por cento entre 1996 e 2006.

O documento elaborado, de acordo com o jornal Notícias, de Maputo, por um grupo de altas individualidades moçambicanas (onde se inclui académicos, pesquisadores, políticos, religiosos e representantes de organizações da sociedade civil) refere ainda que uma gestão macroeconómica sólida contribuiu para o bom crescimento económico que se regista em Moçambique.

Depois de reconhecer que o Governo também tem realizado esforços consideráveis no sentido de ratificar e adaptar as regras e códigos internacionais à realidade nacional, a Comissão Nacional do MARP refere, contudo, que uma grande deficiência verificada na gestão económica moçambicana prende-se ao facto de o processo de crescimento ter resultado, em grande medida, dos investimentos estrangeiros nos mega-projectos e de fluxo de ajudas em quantidade significativa.

Com a despesa estrangeira a totalizar mais de 50 por cento da despesa pública, Moçambique é um dos países mais dependente de ajuda em África.

“Os mega-projectos constituem um número reduzido de projectos que dominam o que os intervenientes vêem como uma economia que, de outro modo, seria pequena e de crescimento lento. Dois projectos de grande dimensão dominam, de forma especial, os dados económicos desde a década de 90 até ao princípio da presente década: a fábrica de alumínio da Mozal e o gasoduto da Sasol” diz o relatório.

Ainda de acordo com o documento “embora estes projectos pareçam impressionantes, os seus benefícios líquidos para o resto da economia é mínimo e praticamente não existe nenhum efeito de transferência de benefícios nem nenhuma criação de postos de trabalho significativos nas indústrias do ramo e até as receitas fiscais não aumentam porque os mega-projectos são quem usufrui de benefícios fiscais generosos”. (macauhub)

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