Brasileiros devem investir em Macau para entrarem depois na China, defende ABF

6 July 2009

Macau, China, 06 Jul – O director executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Ricardo Camargo, defendeu durante um encontro de “franchise” em Macau que a região administrativa especial “é um ponto de investimento decisivo para as empresas brasileiras que querem entrar no mercado chinês”.

“Como plataforma económica entre a China e os países de língua portuguesa, Macau oferece condições atractivas para a captação de investimento, nomeadamente o aspecto tributário e um sector turístico forte. Se as empresas desenvolverem no território certas fases de produção, como o empacotamento dos produtos, já conseguem entrar na China com impostos muito menores”, referiu Ricardo Camargo citado pelo jornal Tribuna de Macau

O director executivo da ABF considerou ainda que face a este cenário e com a relação estreita que Macau e o Brasil têm estabelecido nos últimos anos no campo empresarial, designadamente através da parceria entre o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (Ipim) e a ABF, prevê-se que “no próximo ano se consigam trazer algumas empresas brasileiras para Macau, principalmente dos sectores do calçado, moda, moda desportiva e alimentação”.

Ricardo Camargo, também secretário da Federação Ibero-Americana de Franchising (com dez países, entre eles Portugal, Espanha e Brasil) e do World Franchise Council – com 38 países incluindo a China – sublinha que este modelo de negócio tem resistido à crise face às vantagens que apresenta.

A partilha do investimento entre sócios, a ligação a multinacionais com “know-how” e marcas de renome permitem às empresas de “franchising” obter financiamento a taxas mais baixas junto dos bancos, a expansão rápida do negócio e, consequentemente, resistir por longo período aos movimentos de contracção dos mercados.

Apesar do mercado de “franchising” de Macau estar ainda longe dos níveis de desenvolvimento da China ou do Brasil, há que ter em conta o desempenho destes mercados para “motivar” os empresários locais numa altura de crise económica favorável à criação de sinergias, sublinha o presidente da ABF.

“A crise económica mundial vai servir para aprofundar ainda mais a relação bilateral que vai beneficiar todos e principalmente Macau, que está em crescimento, com muitas oportunidades a explorar, tanto para as empresas brasileiras de ‘franchising’ se concentrarem aqui e conseguirem chegar à China, como também empresas latino-americanas e do resto do mundo”, sublinhou Ricardo Camargo.

O Brasil é o quinto maior mercado mundial de “franchising”, com um peso no PIB de dois por cento, 2,5 milhões de empregos indirectos e 650 mil directos num país com 200 milhões de habitantes.

No âmbito desta aproximação entre o Brasil e a China, o Ipim já tem agendadas duas deslocações de empresários locais ao Brasil no Verão.

No dia 10 de Agosto, realiza-se em São Paulo o seminário de promoção conjunta Guangdong/Macau e, entre os dias 11 e 13 do mesmo mês, o Rio de Janeiro acolhe o encontro anual de empresários da China e dos países de língua portuguesa.

A primeira Expo de “Franchising” de Macau, que terminou domingo com a visita de 4.800 pessoas, contou com expositores da China, Taiwan, Hong Kong, Brasil, Japão, Coreia do Sul, Portugal, Filipinas e Estados Unidos. (macauhub)

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