Chinesa ZTE leva telecomunicações móveis de terceira geração a Timor-Leste

6 July 2009

Díli, Timor-Leste, 06 Jul – A empresa de telecomunicações chinesa ZTE está a trabalhar com a Timor Telecom para levar as telecomunicações móveis de terceira geração a todo o país, tornando as telecomunicações num dos principais sectores de cooperação empresarial bilateral, a par da energia.

“De acordo com este contrato, ampliando-se o Sistema Global para Comunicações Móveis (GSM) já existente em Timor-Leste, será ainda alcançada a cobertura total do país, bem como o acesso aos serviços prestados pela plataforma da tecnologia WCDMA (Wideband Code Division Multiple Access), a qual estabelece o regime de acesso rádio utilizado pela ZTE Corporation para sistemas celulares de terceira geração”, refere nota divulgada pela Secção Económica e Comercial da Embaixada da China em Timor-Leste.

A cerimónia de assinatura do contrato entre a ZTE Corporation da China e a Timor Telecom para fornecimento de equipamentos e prestação de serviços da terceira geração de padrões e tecnologias de telefones móveis 3G teve lugar em Díli no passado mês de Maio.

O projecto está em curso e tem conclusão prevista para o próximo mês de Agosto do corrente ano, “permitindo à Timor Telecom assegurar o acesso total à banda larga sem fios no território de Timor-Leste”, adianta a mesma fonte.

Fundada há 24 anos, a estatal ZTE já regista vendas no estrangeiro superiores às realizadas no próprio país de origem.

A empresa produtora de equipamentos de telecomunicações e de soluções de redes é pouco conhecida dos consumidores uma vez que a sua estratégia no exterior tem sido produzir aparelhos para vender directamente às empresas telefónicas, que colocam as suas marcas nos produtos.

Mas no Brasil a ZTE está a lançar a sua própria marca de telefones móveis, para os segmentos de custo baixo e médio.

A América Latina representa cerca de 7 por cento da receita mundial da ZTE e a meta do grupo é aumentar a facturação na região em 200 por cento.

Recentemente, a empresa obteve uma linha de crédito de 15 mil milhões de dólares do Banco de Desenvolvimento da China para financiar a expansão no estrangeiro, permitindo atender a operadoras que enfrentem dificuldades em obter crédito.

O acordo com a Timor Telecom permite à ZTE afirmar-se como uma das principais empresas chinesas no país, numa altura em que as relações económicas e diplomáticas bilaterais estão em crescendo.

Conforme sublinha relatório recente da Fundação Jamestown, o acesso às reservas de petróleo e gás timorenses são um dos principais interesses da China em Timor-Leste, embora até agora sem grandes sucessos, nomeadamente em terra, que foi prospectado pela PetroChina em 2005.

O grande “prémio”, refere o documento “seria aceder às reservas de gás natural liquefeito (GNL) de Timor-Leste”, nomeadamente do campo “Greater Sunrise” avaliadas em 8,3 triliões de pés cúbicos, além de 300 milhões de barris de petróleo em rama, referem.

Em cima da mesa está a construção de um gasoduto para uma central de processamento em território timorense, projecto que estará a ser seguido muito de perto pelas energéticas públicas chinesas, interessadas na construção e na compra do gás.

“Desde a independência de Timor-Leste, a China estabeleceu-se como um importante actor nos assuntos diplomáticos e políticos do país. Mas o seu papel tem sido ampliado, sobretudo quando comparado com os da Austrália, Portugal, Indonésia e Estados Unidos”, refere o relatório do “think tank” norte-americano.

A China foi o primeiro país a estabelecer relações diplomáticas com Timor-Leste, em 2002, e a ajuda oficial tem vindo a crescer continuamente, embora esteja ainda aquém da prestada pelos parceiros tradicionais e pelas Nações Unidas.

Tem sido empregue sobretudo na construção de edifícios públicos, nomeadamente os que albergam o Ministério dos Negócios Estrangeiros (entregue no início de 2008 com um custo de sete milhões de dólares), mas também o Palácio Presidencial e o Quartel-General das Forças Armadas timorenses (seis milhões de dólares cada), em construção.

Ao nível dos recursos humanos, nos últimos sete anos mais de 400 funcionários públicos e técnicos timorenses receberam formação na China, nas áreas de administração pública, planeamento económico, turismo, saúde, construção e tecnologia.

A comunidade chinesa no país está estimada em até 3 mil pessoas.

As trocas comerciais expandiram-se de 1,7 milhões de dólares em 2005 para 9,4 milhões, tornando a China no quarto maior parceiro comercial timorense.

Em Timor-Leste perspectiva-se este ano o lançamento de importantes projectos de infra-estruturas, como a construção do aeroporto, novas estradas, barragens e instalações portuárias, e espera-se a participação de construtoras chinesas, embora com “forte concorrência” de congéneres coreanas, indonésias e malaias. (macauhub)

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