Escoamento do carvão de Moatize por Nacala, Moçambique, é uma opção viável mas muito cara

10 August 2009

Maputo, Moçambique, 10 Ago – O escoamento do carvão mineral de Moatize pelo porto de Nacala será bem recebido pela administração do Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN) embora não faça parte das prioridades do corredor, afirmou o administrador-delegado do CDN.

Em declarações ao jornal Notícias, de Maputo, à margem da reunião da Assembleia Geral dos Accionistas, Fernando Couto ressalvou que todos os estudos até agora realizados sobre aquela possibilidade mostraram-se bastante onerosos, mas tal não significa que o projecto seja inviável.

“Se os números de que se fala sobre o carvão se concretizarem, acredito que todos os portos não serão suficientes”, sustentou.

Dispondo de um porto de águas profundas que pode permitir a atracagem de navios de grande calado, Nacala esteve sempre na mira dos investidores do sector do carvão em Tete, mas os estudos realizados quer para a construção de uma linha férrea directa para Nacala ou através do Malawi revelaram a necessidade de investimentos de montante muito elevado.

Desde a concessão das antigas reservas da Carbomoc à companhia brasileira Vale, assiste-se em Moçambique a uma corrida de investidores quer nacionais quer estrangeiros que também pretendem explorar possíveis reservas de carvão mineral.

Com o projecto da Vale, prevê-se a exploração da mina de carvão a céu aberto por 35 anos, com produção média anual estimada em 11 milhões do toneladas anuais de produtos de carvão (carvão metalúrgico e térmico) a serem escoados para mercados como Brasil, Ásia, Médio Oriente e Europa.

Já em Benga, a companhia australiana Riversday diz pretender produzir cerca de 20 milhões de toneladas de carvão bruto que, quando processados, resultarão em cerca de 6,0 milhões de toneladas de carvão de coque, 2,0 milhões de toneladas de carvão térmico para a exportação e 4,0 de carvão para queima na central térmica a ser construída em Moatize.

A estas quantidades acrescem-se outras que estão a ser exploradas por outros pequenos concessionários na zona de Tete ou que, eventualmente, possam ser descobertas nos próximos tempos.

A solução actual para o escoamento daquelas quantidades de carvão assenta fundamentalmente na linha ferroviária do Sena que, devendo a sua reconstrução ficar concluída em Setembro próximo, pode transportar um máximo de seis milhões de toneladas entre Moatize e o porto da Beira. (macauhub)

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