Parceria Brasil-Macau deve favorecer pequenos e médios empresários

11 August 2009

São Paulo, Brasil, 11 Ago — Pequenos e médios empresários brasileiros devem tornar-se o novo foco de atenção da parceria entre Brasil, Macau e a província de Guangdong, foi defendido no Seminário sobre a Cooperação Económica e Comercial e Serviços entre Guangdong, Macau e Brasil.

No primeiro encontro empresarial organizado conjuntamente por Macau e Guangdong no Brasil, realizado segunda-feira em São Paulo, autoridades do Brasil e da China também discutiram a importância de expandir os negócios bilaterais e estimular empresários a estabelecer parcerias na região.

“Macau poderá apoiar as empresas e os investidores brasileiros a entrarem no potencial mercado consumidor de Guangdong”, disse Lee Peng Hong, presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM).

Lee destacou que em Macau há escritórios de associações de comerciantes brasileiros, como a Associação Comercial de São Paulo, e que os pequenos e médios empresários brasileiros podem ser assessorados e acrescentou que a instituição que dirige dispõe de um mecanismo de cooperação com todas as agências de exportação nos países de língua portuguesa.

O vice-governador de Guangdong, Wan Qingliang, apresentou as vantagens da região e disse que a cooperação entre Brasil e China deve ser aprofundada.

Muitas empresas de menor dimensão precisam ser assessoradas para conhecer melhor o mercado chinês, diz Julio Airosa, director-executivo da Associação dos Empresários Macaenses do Brasil, organização que intermedeia negociações entre brasileiros, o governo de Macau e empresas chinesas.

“Dificuldades podem advir da diferença de culturas ou mesmo da distância”, adiantou Airosa, para quem os pequenos empresários pretendem investir mas carecem de estrutura para o fazer.

“A China, por exemplo, consome miúdos de carnes bovinas e de aves, pés e peles de aves, coisas que os brasileiros às vezes não sabem que podem vender”, exemplifica o responsável no Brasil pela Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos (ACIML), Frederico Martins.

Empresas de menor dimensão também podem precisar de ajuda no controlo de qualidade e outros procedimentos importantes para importar ou exportar da China, diz Claudio Meirelles.

O empresário da cidade de São Paulo é director da Baumann, empresa que apoia empresários brasileiros no controlo de contentores que serão importados. Ele acredita que a distância entre os países dificulta que a empresa importadora faça esse trabalho e que, portanto, a parceria com Macau e o esforço de apoio a esses empresários é muito importante.

A China já é o principal destino das exportações brasileiras. No primeiro semestre de 2009, as vendas do Brasil para o país asiático superaram 11 mil milhões de dólares. Esse comércio, no entanto, é muito concentrado: vinte produtos representam 91 por cento das exportações brasileiras para a China, entre os quais minérios de ferro, soja e derivados de petróleo.

Os novos esforços de Macau, Guangdong e Brasil pretendem fortalecer a parceria comercial e aumentar a diversidade de negócios.

“Guangdong é a província de maior desenvolvimento económico de toda a China”, diz Wan Qingliang, “espero que possamos reforçar a cooperação por um futuro mais perfeito”. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH