Banco Mundial mantém reservas sobre evolução da economia de Angola mas vê “luz ao fundo do túnel”

31 August 2009

Luanda, Angola, 31 Ago – As dificuldades da economia de Angola permanecem mas há sinais que indicam uma evolução positiva para a crise que o país atravessa desde 2008, indica o Banco Mundial no seu relatório de Agosto.

O economista chefe do Banco Mundial (BM) em Angola, Ricardo Gazel adianta “já se estar a ver a luz ao fundo do túnel” mas acrescenta que apesar de “alguns indícios, continuam a ser muitas as dificuldades” no caminho de saída para a crise.

No relatório mensal, Gazel lembra que a crise internacional “atingiu fortemente” a economia angolana com a queda acentuada do preço do petróleo em meados de 2008, tendo levado a grandes dificuldades na primeira metade de 2009, com um “elevado nível de incerteza e nervosismo” dos agentes económicos.

Uma das provas da crise em Angola ficou recentemente demonstrada com a confirmação por parte do ministro da Economia, Severim de Morais, dos atrasos nos pagamentos às construtoras que ascendem a cerca de dois mil milhões de dólares.

Perante o actual cenário, Ricardo Gazel admite que a economia angolana já não terá uma contracção real de três por cento como o BM preconizava em Janeiro, sublinhando as divergências de analistas sobre a evolução para 2009 à época, apesar da forte diminuição das receitas petrolíferas que contam em 55 por cento para o PIB angolano, devido à diminuição da produção imposta pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a que Luanda aderiu em 2007.

“Desde Janeiro algumas condições mudaram e a mais importante foi a magnitude dos cortes na produção petrolífera para 2009. Em vez do corte de 13 por cento acordado com a OPEP, o que ficou inscrito no orçamento reajustado sujeito ao Parlamento foi um corte de apenas seis por cento”, nota Gazel.

O economista do BM sublinha, todavia, que estes cortes “mantêm o impacto negativo na evolução do PIB mas a um nível significativamente mais baixo”, de cerca de três por cento em vez dos sete se os cortes na produção fossem de 13 por cento.

Perante este cenário, explica ainda Gazel no documento, o crescimento do PIB angolano “depende da magnitude do crescimento do sector não-petrolífero”. (macauhub)

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