Moçambique deve apostar em energias renováveis, defende relatório lançado em Maputo

22 October 2009

Maputo, Moçambique, 22 Out – Moçambique deve desenvolver um sistema de fornecimento de energia eléctrica baseado em opções de energia limpa, com baixo custo e adequado à distribuição geográfica da procura local, defende um relatório sobre energias renováveis lançado segunda-feira em Maputo.

O relatório, da autoria de Mark Hankins, especialista em energias enováveis e electrificação rutal, espelha de forma detalhada o potencial moçambicano para a energia solar, eólica, hidro de pequena escala e biomassa, descrevendo igualmente as medidas-chave para a eficiência energética que poderiam ajudar Moçambique a reduzir a sua necessidade de energia no futuro.

O documento, recentemente publicado na África do Sul de acordo com o jornal Notícias, de Maputo, apresenta os passos necessários para ajudar o sector de energia a desenvolver este tipo de sistemas descentralizados de energia.

Um dos itens do documento sugere que Moçambique deveria empreender urgentemente algumas actividades para reforçar a sua capacidade de energia renovável e descentralizada como, por exemplo, a remoção de todos os direitos e tarifas sobre tecnologias de energia renovável através da criação de incentivos claros para os investidores, fabricantes e empreendedores para utilizarem e promover as energias renováveis quando investirem no país.

A abertura de um fundo para investidores do sector privado e/ou a Electricidade de Moçambique, bem como a atribuição ao Fundo de Energia (Funae) a tarefa de ser facilitador ao invés de realizador de projectos de energias renováveis em áreas remotas é outra recomendação contida no relatório, que aponta ainda a necessidade de examinar as experiências do Uganda e da Tanzânia, que desenvolvem novas abordagens para o sector privado fora da rede nacional e/ou electrificação rural gerida pela comunidade.

O lançamento deste documento surge numa altura em que ambientalistas de Moçambique têm discutido a eficácia da instalação de mais barragens no país, com especial enfoque para a projectada barragem de Mphanda N’kuwa, no rio Zambeze.

Um dos argumentos apresentados é que o empreendimento irá satisfazer principalmente a África do Sul, ao mesmo tempo que trará impactos sociais e ambientais negativos para Moçambique. (macauhub)

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