Maior concorrência dilui peso económico de Portugal em Moçambique

3 November 2009

Maputo, Moçambique, 3 Nov – A maior concorrência de outros países fez com que as relações económicas entre Portugal e Moçambique sejam pouco significativas, quer no comércio quer no investimento directo, de acordo com o jornal Notícias, de Maputo.

Dizendo que África do Sul, China e Brasil são os principais investidores em Moçambique, o jornal adianta que em 2008 Portugal assumiu-se apenas como o quinto maior fornecedor de Moçambique, que recebe da África do Sul 40 por cento das suas importações.

Em 1994, ano das primeiras eleições em Moçambique, as exportações portuguesas para Moçambique eram quatro vezes superiores ao valor do comércio português com Angola, enquanto hoje não só Angola vale muito mais como Cabo Verde ocupa o segundo lugar entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

Em 2008, Portugal vendeu a Moçambique produtos no valor de 92,3 milhões de euros de produtos, ou seja mais 3,3 por cento do que em 2007, e no primeiro semestre as exportações portuguesas para Moçambique situaram-se em 54,3 milhões de euros, mais 35,3 por cento face a período homólogo do ano passado, segundo dados do INE.

O pior, prossegue o Notícias, é mesmo a vertente de investimento directo, com países como a África do Sul (com projectos como a fundição de alumínio Mozal), China e Brasil a destacarem-se à frente de Portugal.

Em 2007, houve um pico extraordinário, com o investimento líquido português a atingir 80,6 milhões de euros (investimento bruto de 113,2 milhões e desinvestimentos avaliados em 32,6 milhões) em áreas como a construção, actividade imobiliária e serviços a empresas, mas, entre 2004 e 2006, tudo somado, o valor não foi além de 21 milhões de euros.

O ano passado registou-se uma quebra acentuada, já que, entre novos projectos e desinvestimentos, o valor foi negativo em 11,2 milhões de euros.

João Navega, presidente da Câmara de Comércio Portugal-Moçambique, defende que “os empresários portugueses não se desinteressaram de investir”, mas hoje há muito mais investimento externo de outros países.

Afirmando que a leitura dos números requer um olhar mais aprofundado, refere que “investimentos efectuados ao longo de décadas, muitas vezes inexpressivos mas que se multiplicaram, deram os seus frutos, e geraram sociedades e grupos de direito moçambicano, os quais vão gerando resultados positivos”. (macauhub)

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