Empresários brasileiros concluem périplo pelo sul de África em Joanesburgo

16 November 2009

Joanesburgo, África do Sul, 16 Nov – A missão empresarial brasileira ao sul de África concluiu quinta-feira o seu périplo por Angola, Moçambique e África do Sul em Joanesburgo, onde o ministro Miguel Jorge tentou solucionar problemas de natureza comercial.

No decurso de uma reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Externo, Miguel Jorge e o ministro da Indústria e Comércio sul-africano, Rob Davies, os dois governos assinaram um acordo para tentar solucionar problemas comerciais que bloqueiam exportações e importações de mercadorias dos dois países.

Um dos principais entraves envolve a venda de carne de porco brasileira que sofre restrições impostas pelo governo sul-africano, que alega questões fitossanitárias para vetar a entrada de carne de porco do Brasil.

Mas as autoridades brasileiras afirmam que este produto obedece a todas as normas internacionais e não existem razões para a proibição, tendo os ministros Miguel Jorge e Rob Davies manifestado vontade para solucionar o impasse e encerrar a controvérsia.

Para Miguel Jorge, até Fevereiro de 2010 essa e outras questões estarão solucionadas.

O périplo empresarial brasileiro iniciou-se a 9 de Novembro em Angola onde o ministro Miguel Jorge foi recebido pelo presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, a quem entregou uma carta do Presidente Lula da Silva manifestando o interesse brasileiro em estreitar as relações económicas com Angola.

Angola é dos países de África que mais acolhe cidadãos do Brasil, calculando-se que no país residam cerca de 40 mil brasileiros.

Em Maputo, Moçambique, segunda escala da missão, Miguel Jorge encontrou-se com os ministros de Indústria e Comércio, Antônio Fernando, de Transporte e Comunicações, Paulo Zucula, de Energia, Salvador Namburete, e com representantes do Ministério das Finanças, Ministério de Obras Públicas e Banco de Moçambique.

Uma das reuniões oficiais foi realizada entre representantes do governo moçambicano e do Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig) – ligado à Câmara de Comércio Exterior (Camex), Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e Banco do Brasil, tendo sido discutidas possíveis linhas de financiamento do governo brasileiro para Moçambique.

O investimento brasileiro em Moçambique ainda é insignificante e nem consta dos últimos dados lançados pelo Centro de Promoção de Investimentos (CPI) que revelam que Brasil se posicionou no trigésimo lugar, em 2006, na lista de países com investimentos em Moçambique, passando em 2007 para a décima primeira posição.

Em termos de investimentos brasileiros de vulto em Moçambique, a empresa Vale destaca-se na exploração de carvão de Moatize, em Tete, com um investimento de 1,6 mil milhões de dólares, devendo produzir anualmente cerca de 11 milhões de toneladas carvão mineral. Está também bem posicionada a empresa Camargo Corrêa no projecto de construção da Hidroeléctrica de Mpanda N´kuwa, também em Tete.

Durante a visita Miguel Jorge afirmou que o Brasil aguarda um pedido oficial de Moçambique para formalizar o financiamento da reconversão do aeroporto de Nacala e do terminal de carvão do porto da Beira, para o qual já existe um financiamento aprovado por Brasília na ordem de 300 milhões de dólares.

A delegação brasileira era constituída por mais de 90 empresários e líderes de entidades sectoriais dos sectores de alimentos e bebidas, agronegócio, casa e construção, indústria automóvel, energia, máquinas e equipamentos, retalho, cosméticos, materiais eléctricos e electroeletrónicos, calçado, defesa e infra-estruturas e têxtil, além de quadros do governo brasileiro.

Em Janeiro, uma missão de empresários brasileiros visitou Marrocos, Líbia, Argélia e Tunísia. Cinco meses depois, em Junho, uma delegação brasileira também esteve no Gana, Senegal, Nigéria e Guiné Equatorial. (macauhub)

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