Sector agrícola de Angola lidera investimentos mas precisa de modelo mais moderno e produtivo

23 November 2009

Luanda, Angola, 23 Nov – A agricultura está a liderar este ano os investimentos entre os sectores não-petrolíferos da economia de Angola, mas precisa de um novo modelo produtivo, mais moderno e eficiente, afirmam os economistas do português Banco BPI.

“O nível de produção pode ser melhorado, considerando a estrutura produtiva existente (familiar), as melhorias esperadas ao nível das infra-estruturas, vias de acesso e recursos disponíveis. Mas esta via será insuficiente e o investimento nesta área terá que ser feito no sentido de promover uma alteração de paradigma de produção”, sublinha o mais recente relatório do centro de estudos do Banco BPI sobre a economia de Angola.

A alteração, defendem os economistas, passa pela criação de associações de agricultores que possam criar unidades produtivas com modelos de gestão modernos, utilizando conhecimentos e técnicas de cultivo mais sofisticadas e produtivas.

“Porém, este é um caminho que se adivinha lento, dado que na base de tudo isto existe o pressuposto de uma mão-de-obra mais qualificada, bem como uma alteração administrativa e institucional e até cultural, que permita apoiar este novo modelo de desenvolvimento”, refere o relatório divulgado em Outubro, que inclui um dossier especial sobre a agricultura em Angola.

O sector primário em Angola, adianta, “tem um vasto potencial de exploração, quando avaliamos a quantidade de recursos naturais existentes, mas actualmente o nível produtivo mantém-se ao nível da agricultura de subsistência, suportada pelas unidades agrícolas familiares de pequena dimensão, com baixos níveis de produtividade e com poucos incentivos para alterar a sua forma de produção”.

O sector agrícola foi eleito como prioritário pelo governo de Luanda, que lançou um programa (2009-2013) que prevê um investimento de 59 mil milhões de kwanzas em projectos de modernização.

Os números da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que o nível de produtividade agrícola angolana é hoje inferior a metade dos observados no continente africano e o país permanece deficitário na produção agrícola e pecuária.

No primeiro semestre do ano, o sector não-petrolífero dá sinais de animação, com a Agência para o Investimento Privado (ANIP) a aprovar projectos de investimento no valor de 1.000 milhões de dólares, a maior fatia para a agricultura (360 milhões de dólares).

No relatório económico, os economistas do BPI sublinham as recentes revisões em alta das previsões de crescimento do BPI de Angola, que colocam praticamente de parte um cenário de recessão, bem como o acesso por Luanda a novas linhas de financiamento, como a do Fundo Monetário Internacional (900 milhões de dólares).

“O movimento de recuperação da economia visível no segundo semestre, conduzido por uma melhoria da receita (preço e quantidade) das exportações petrolíferas, permitiu estancar a queda das reservas internacionais”.

Desde Julho, sublinha, este indicador evolui positivamente, esperando-se que a tendência “se acentue” nos próximos meses, afastando-se o cenário de quebra das reservas verificado no início do ano, devido à descida acentuada das receitas do crude.

Dados da Agência Internacional de Energia dão conta de uma recuperação da produção petrolífera angolana, para 1,7 milhões de barris diários em Julho, com tendência de subida, quando o Orçamento de Estado aponta para uma média anual de 1,79 milhões.

A apreciação do dólar em relação ao kwanza mantém-se, mas esta tendência “deverá aliviar alguma pressão sobre a balança corrente por abrandamento das importações, entretanto encarecidas.

Quanto à inflação, o objectivo oficial de 12,5 por cento mostra-se improvável, dada a tendência de alta até Agosto e ao efeito da desvalorização da taxa de câmbio. (macauhub)

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