FMI pede a Angola gestão “sensata” de emissão de dívida pública

26 November 2009

Washington, Estados Unidos da América, 26 Nov – O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu quarta-feira ao governo de Angola uma gestão “sensata” da operação de emissão de dívida pública no valor de 4 mil milhões de dólares.

“Instamos as autoridades a prosseguir sensatamente na gestão da sua primeira grande operação de emissão de obrigações para minimizar o custo de financiamento para o país. As poupanças podem ser grandes ao longo de todo o período de empréstimo”, afirmou quarta-feira Sean Nolan, consultor sénior do FMI, em conferência de imprensa telefónica.

O programa de acompanhamento (“stand by”), anunciado segunda-feira, permite a Angola aceder a um financiamento de 1,4 mil milhões de dólares, mas prevê também o recurso, “ao longo dos próximos meses” a outras fontes de financiamento.

Segundo Nolan, ficou estabelecido um limite de empréstimos não-concessionais, “habitual em programas do FMI”, que será divulgado em breve juntamente com todos os documentos assinados por ambas as partes.

De acordo com o Renaissance Capital, um dos principais bancos de investimento a operar nos mercados emergentes, a emissão poderá ser a mais cara na história da África sub-saariana, dado que Angola terá de oferecer juros invulgarmente elevados aos investidores, devendo a taxa de remuneração situar-se entre 9 e 9,5 por cento.

Isto porque o país não dispõe de uma avaliação independente da qualidade do crédito (“rating”), atribuída por empresas especializadas como a Moody’s Investors Service, Standard & Poor’s ou Fitch Ratings, logo é mais elevado o risco percepcionado pelos investidores.

A operação, a primeira de grande dimensão organizada por Angola a nível internacional, destina-se a financiar projectos de construção, numa altura em que o país ainda lida com os efeitos da baixa do preço do petróleo. (macauhub)

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