Governo de Cabo Verde propõe reestruturação da Electra com abertura a parcerias com o sector privado

27 November 2009

Praia, Cabo Verde, 27 Nov – O governo de Cabo Verde propôs quinta-feira a abertura da empresa pública de electricidade e água Electra à parceria com o sector privado, decisão que os accionistas deverão tomar na Assembleia-Geral a realizar em Dezembro.

A proposta foi aprovada em Conselho de Ministros e insere-se no plano de reorganização e reestruturação institucional das participações do Estado de Cabo Verde nos sectores da água e energia, “sector que necessita de uma intervenção urgente”, disse a porta-voz do executivo cabo-verdiano, Janira Hopffer Almada.

A medida, acrescentou, tem em conta o facto de a actual situação operacional e financeira da Electra, onde o governo já investiu, nos últimos três anos, 10 milhões de contos cabo-verdianos (90,6 milhões de euros), necessitar de uma intervenção urgente”.

Segundo a também ministra da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares de Cabo Verde, o governo pretende proceder à reestruturação da empresa, com base na cisão da Electra, em sociedades autónomas por ilhas ou grupo de ilhas e na criação de uma Sociedade Gestora de Participações Sociais (SGPS), que se dedicará à gestão das participações sociais do Estado nas novas sociedades.

Caso a decisão seja aprovada na Assembleia-Geral da Electra, marcada para 17 de Dezembro, a participação na empresa estará aberta a parceiros cabo-verdianos e estrangeiros, salientou.

A reestruturação proposta assenta na manutenção da concentração na empresa das áreas de produção, transporte, distribuição e comercialização de electricidade, bem como na manutenção da concentração também das actividades ligadas aos sectores de água, electricidade e tratamento de águas residuais.

Assenta também na reafirmação do estatuto da empresa como concessionária da rede de transporte e distribuição de electricidade e água e na manutenção da verticalização das novas empresas, “para garantir a sua sustentabilidade económica e financeira”, acrescentou Janira Hopffer Almada.

Em Setembro passado, o presidente da Electra, Antão Fortes, disse à agência noticiosa portuguesa Lusa que a empresa tem dívidas avultadas para com os seus fornecedores, nomeadamente às empresas petrolíferas, que garantem os combustíveis, peças e outros serviços. (macauhub)

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