Centro de Tecnologia Agrícola da China em Moçambique abre no início de 2010 para estimular produtividade

30 November 2009

Maputo, Moçambique, 30 Nov – A abertura do primeiro Centro de Pesquisa e Transferência de Tecnologia Agrícola da China em Moçambique, que promete aumentar a produtividade dos campos do país, está marcada para o início de 2010, de acordo com um comunicado do instituto de desenvolvimento Panos a que o macauhub teve acesso.

“A unidade vai usar a capacidade agrícola chinesa para impulsionar a produtividade agrícola de Moçambique, melhorando os métodos de cultivo e treinando cientistas e agricultores locais”, refere o comunicado divulgado em Novembro pelo Panos.

O Centro está a ser construído no espaço contíguo à Estação Agrária de Umbelúzi, no distrito de Boane, em Maputo e representa um investimento de 55 milhões de dólares, soube a agência Macauhub.

“Os peritos chineses ali colocados vão difundir sementes de milho, arroz, vegetais e frutos e testar a sua adequabilidade ao clima local”, adianta a nota do instituto de promoção do desenvolvimento.

Este será pioneiro entre os dez centros de tecnologia agrícola que a China, através do presidente Hu Jintao, prometeu construir em África.

No caso de Moçambique, espera-se o lançamento de projectos que permitam quintuplicar a produção de arroz, das actuais 100 mil toneladas para 500 mil toneladas anuais.

O centro irá dispor de laboratórios específicos de ciências naturais e biológicas, espaços para a implantação de diversas culturas bem como para o desenvolvimento da aquacultura.

Resulta de um acordo assinado em 2008 entre os governos moçambicano e chinês, através dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e Agricultura.

Está ainda prevista a construção um segundo centro chinês em Moçambique, no Parque Tecnológico de Moamba.

Em 2008 o governo chinês comprometeu-se a investir 800 milhões de dólares na modernização do sector agrícola moçambicano e um ano antes os dois países tinham assinado um memorando de entendimento prevendo a instalação de cerca de 3.000 agricultores chineses nas províncias de Tete e Zambeze, com o objectivo de estabelecerem explorações agrícolas e pecuárias ao longo do vale do maior rio moçambicano.

Está ainda projectada a construção de canais e irrigações, incluindo um de grande dimensão entre o lago Malaui, o segundo maior do continente, no país vizinho, para rios e barragens em Moçambique.

Perto de 100 especialistas chineses estiveram este ano a trabalhar em Moçambique, incluindo do reconhecido Instituto de Arroz Híbrido de Hunan.

Segundo o investigador Loro Horta, o projecto dos centros tecnológicos resulta do crescente interesse chinês pelos recursos agrícolas africanos, que cria as bases para uma “a modernização do sector agrícola africano”.

“Nos últimos dois anos, a procura de novas terras levou Pequim a procurar agressivamente grandes concessões de propriedades em Moçambique, especialmente nas suas áreas mais férteis, como nos vales do Zambeze (norte) e do Limpopo (sul)”, sublinha no recente artigo “Segurança Alimentar em África: A Nova Taça de Arroz da China”.

“Tem sido dada atenção considerável aos interesses chineses no petróleo e outros recursos minerais africanos, mas é talvez na agricultura e processamento alimentar que a China terá um impacto mais significativo no futuro do continente”, defende o académico, filho do actual presidente timorense, Ramos Horta. (macauhub)

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