Baixa e Ingombotas “reinam” em Luanda, Angola, cidade onde o metro quadrado vale ouro

1 February 2010

Luanda, Angola, 1 Fev – Luanda é uma das cidades do mundo onde o imobiliário é mais caro e um estudo recente da consultora angolana Proprime revela que esta realidade é mais acentuada nos bairros da Baixa, para os escritórios e de Ingombotas para a habitação.

O estudo de mercado imobiliário Luanda 2009, da Proprime, Consultadoria e Avaliação Imobiliária, feito em colaboração com o portal Casa Sapo, aponta para um valor de metro quadrado de cerca de 11.647 dólares e uma renda média por metro quadrado de 165 dólares na Baixa.

Na Talatona, o metro quadrado está avaliado em 8.333 dólares e a renda média em 125 dólares, e na chamada cidade os preços são mais baixos, rondando 6.947 dólares o metro quadrado e 110 dólares a renda média.

No estudo, o mercado de escritórios de Luanda é dividido em CBD – Central Business District (Baixa de Luanda), Cidade (2ª coroa, zonas periféricas da baixa) e Luanda Sul (Talatona e Benfica).

Os valores apresentados correspondem a um “mix” entre preços de oferta e valores de avaliação recolhidos de empreendimentos nos municípios das Ingombotas, Maianga, Luanda Sul, Viana e Camama.

A Talatona apresenta os preços mais elevados no segmento de escritórios usados – 6.600 dólares por metro quadrado, superando o CBD (6316 dólares) e a Cidade (4.091 dólares).

Esta foi a segunda edição do estudo, e a primeira com dados referentes aos escritórios.

Os autores salientam a fase de “mutação” do contexto económico, que acabou por ser de estagnação do crescimento económico, mas consideram que actualmente “existe potencial de mercado para todos os operadores imobiliários”.

“Verifica-se agora uma diferença substancial decorrente da descida do preço do petróleo e das consequências naturais desse facto na economia angolana, embora a dependência da mesma em relação ao preço desta matéria-prima seja cada vez menor”, graças à diversificação económica em curso, refere o estudo.

Num estudo recente, a consultora imobiliária Worx identificou valores recorde nas rendas em Luanda, apontando para 12 mil dólares por metro quadrado (T5) na zona de referência.

Os preços, sublinha, são consequência “da guerra e da falta de investimentos nos últimos anos” no imobiliário do país, que só mais recentemente começou a expandir-se ao ritmo da economia.

O estudo da Proprime envolveu o levantamento do parque de escritórios da cidade de Luanda e da zona sul de Luanda, numa área total de estudo de 1,3 milhões de metros quadrados.

Quanto aos apartamentos, os mais caros situam-se nas Ingombotas com um valor médio entre 385 mil dólares (T1, 64 metros quadrados) e 1,2 milhões de dólares (T3, 225 metros quadrados).

Na Maianga, um T4 (285 metros quadrados) é avaliado em 1,15 milhões de dólares, enquanto um T2 (165 metros quadrados) ronda 725 mil.

Mais baixos são os preços nas zonas de Luanda Sul (entre 294 mil dólares o T1 e 800 mil dólares o T4), Viana (210 mil dólares o T1 e 380 mil dólares o T3) e Camama (230 mil dólares o T1 e 365 mil dólares o T3).

Quanto ao preço por metro quadrado, os mais elevados são igualmente os de Ingombotas (6.016 dólares o T1 e 5333 o T3), seguido dos T1 em Luanda Sul (5.158).

As moradias mais pequenas (V3) na zona da Talatona estão avaliadas em 2,2 milhões de dólares e as maiores em 2,4 milhões.

Benfica apresenta valores de moradias entre os 1,8 milhões de dólares (V3, 380 metros quadrados) e 2 milhões de dólares (430 metros quadrados), de acordo com a Proprime. (macauhub)

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