Redução do investimento significa menor ritmo de crescimento económico em Cabo Verde

17 February 2010

Praia, Cabo Verde, 15 Fev – A redução do nível de investimento público e privado em Cabo Verde, sobretudo depois de 2011, a par de uma redução da procura externa, deverá desacelerar o ritmo de crescimento económico cabo-verdiano, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

No seu mais recente relatório sobre o país, o FMI prevê uma aceleração do ritmo de crescimento económico em 2010 (mais 4 por cento), em relação ao ano passado (3,5 por cento), mas alerta que nos próximos anos “o crescimento poderá ser mais baixo do que no passado recente”.

“Não há grandes projectos de investimento estrangeiro na rampa de lançamento e a procura externa pode manter-se fraca”, refere o relatório.

Para o FMI, justifica-se o défice fiscal previsto pelo governo cabo-verdiano para este ano, resultante do nível de investimento, mas “está a ser consumido rapidamente o espaço de contratação de empréstimos”.

“Os investimentos dirigem-se a problemas infra-estruturais que constrangem o crescimento e o serviço da dívida deverá manter-se moderado. Contudo, permanecendo baixo o risco de problemas de endividamento em Cabo Verde, um crescimento dos rácios acima do previsto está a reduzir o nível de conforto”, sublinha.

Cabo Verde, segundo as estimativas do Banco Mundial, teve uma queda do crescimento económico para 3,3 por cento em 2009 (contra 5,9 por cento no ano anterior) e vai recuperar para 4,4 por cento de crescimento este ano acelerando para 5,4 por cento em 2011.

Em carta ao director do FMI, a ministra das Finanças, Cristina Duarte, sublinhava no final do ano passado que o ritmo do programa de investimentos públicos vai manter-se em 2011 e 2012, mas que a partir daí deverá regressar a “níveis mais moderados”, uma vez completados os grandes projectos de infra-estruturas em curso.

O financiamento tem vindo a ser obtido quase sempre em termos concessionais e a longo prazo, mas está a tornar-se um fardo para as contas públicas cabo-verdianas.

Na última ronda de contactos bilaterais, o FMI recomendou uma “redução significativa do défice para 2011” e a manutenção de “baixo défice fiscal a médio prazo para afastar preocupações dos mercados sobre sustentabilidade fiscal”.

O abrandamento do ritmo de crescimento económico registado em 2009 teve como causas principais o recuo do consumo privado, a queda do investimento privado e a evolução negativa das exportações, de acordo com o banco central.

O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) realizado em Cabo Verde caiu acentuadamente, sobretudo nas componentes de investimento imobiliário (-36,9 por cento em termos homólogos em Dezembro) e de investimento dos emigrantes (-25,8 por cento).

Por outro lado, os dados do Banco de Cabo Verde apontam para um aumento das transferências oficiais, graças a ajudas orçamentais da União Europeia avaliadas em 900 milhões de escudos e do Millennium Challenge Account (400 milhões de escudos).

Em relação às remessas de emigrantes, verificou-se no ano de 2009 uma redução de 3 por cento em termos homólogos, o que “reflecte essencialmente a redução verificada nos fluxos provenientes dos países da Zona Euro (5,2 por cento em termos homólogos).

No último trimestre do ano passado, as importações de materiais de construção, bens de equipamentos e de materiais de transporte, indicadores da Formação Bruta de Capital Fixo, recuavam respectivamente, -50,6 por cento, -27,2 por cento e -35 por cento.

Em resultado do decréscimo significativo das importações de bens (25,1 por cento em termos homólogos, aliado a um aumento das exportações de bens (18 por cento), o défice da balança comercial registou uma redução acentuada no último trimestre (26,7 por cento em termos homólogos).

Para 2010 é esperada uma “ligeira recuperação da actividade económica”, com o PIB a ganhar entre 4 por cento e cinco por cento, graças à “gradual recuperação das exportações, sobretudo de serviços, e alguma recuperação do Investimento Directo Estrangeiro”, refere o último relatório do banco central ao governo.

“De igual modo, a expectativa é de que a procura interna venha a beneficiar não só das medidas de estímulo orçamental implementadas, criando condições propícias e incentivos ao investimento”, adianta. (macauhub)

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