Governador do Banco de Moçambique adverte contra empréstimos em moeda estrangeira

19 February 2010

Maputo, Moçambique, 19 Fev – O governador do Banco de Moçambique advertiu em Maputo que os bancos comerciais que concedam empréstimos em moeda estrangeira a clientes que não sejam exportadores estão a contribuir para a depreciação da moeda moçambicana, o metical.

No decurso do lançamento do estudo anual sobre o sector bancário em Moçambique levado a cabo pela empresa de consultoria KPMG, Ernesto Gove disse que os bancos continuam a efectuar tais empréstimos “não obstante os inúmeros apelos feitos pelo banco central”.

Em princípio, os exportadores não terão problemas de reembolsar os empréstimos em dólares ou euros, uma vez que os mesmos são pagos em moeda estrangeira mas, quando chega o momento de reembolsar os empréstimos, os clientes que não são exportadores têm tendência para converter os seus meticais em dólares “o que pressiona o mercado cambial e conduz à depreciação do metical”, disse ainda Gove.

O estudo da KPMG permite concluir em que em 2009 o sector bancário mostrou-se altamente rentável e que o problema do crédito mal-parado, que levou os dois principais bancos ao colapso no final da década de 90, está agora sob controlo.

“Nós temos uma taxa muito baixa de crédito mal-parado, menos de três por cento da carteira”, disse Gove, acrescentando que “em alguns países chega a atingir 20 por cento”.

Embora a taxa de inflação tenha sido em 2009 de 3,3 por cento, a mais baixa desde que Moçambique iniciou a transição de uma economia de planificação central para uma economia de mercado em 1987, as taxas de juro continuam anormalmente elevadas, sendo que a taxa de juro média actual sobre um empréstimo bancário é de 16 por cento.

Gove sugeriu a redução desta taxa para empréstimos em meticais concedida a clientes que inspiram confiança ao banco dada a sua capacidade de reembolso. (macauhub)

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