Comércio e investimento entre China e países de língua portuguesa resistiram à crise global

6 April 2010

Macau, China, 6 Abr – Os contactos e a cooperação entre China e países de língua portuguesa, promovidos ou intermediados pelo Fórum Macau, contribuíram decisivamente para que o comércio e o investimento no espaço sino-lusófono tenha superado a recente crise económica global.

O balanço de 2009, recentemente divulgado pelo Fórum Macau, sublinha que “o investimento mútuo entre a China e os países de língua portuguesa, não só não sofreu redução como cresceu”, num ano marcado pela crise económica, em que o Investimento Directo Estrangeiro recuou cerca de 30 por cento a nível global.

“O estabelecimento do Fórum Macau impulsiona e encoraja o empresariado da RAEM a apostar fortemente nos países de língua portuguesa”, refere o documento.

Já o recuo do comércio no espaço sino-lusófono, de 19 por cento, foi inferior à média mundial, “demonstrando que a cooperação económica e comercial, continua a crescer de forma assinalável, apesar dos efeitos da crise”, adianta.

Dados divulgados na semana passada pela Administração das Alfândegas da China indicam que a recuperação do nível comercial está em curso, tendo as trocas multilaterais duplicado nos dois primeiros meses do ano em termos homólogos.

Mesmo com o recuo do ano passado, foi superada, com trocas de 62,468 mil milhões de dólares, a meta estabelecida na 2ª Conferência Ministerial do Fórum Macau para o volume das trocas comerciais bilaterais até ao final de 2009 (45-50 mil milhões de dólares).

Outra tarefa do Secretariado Permanente em 2009 foi a organização e participação nas iniciativas para a promoção do comércio e investimento, como o Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, no Rio de Janeiro, o Seminário sobre a Cooperação Económica e Comercial e Serviços entre Guangdong, Macau e Brasil, em São Paulo, assim como o Encontro Empresarial de Negócios dos Países de Língua Portuguesa, em Fortaleza.

“Além disso, vários dirigentes de departamentos para os assuntos económicos e comerciais externos da China visitaram o Secretariado Permanente do Fórum, nomeadamente os responsáveis das províncias de Hunan e de Zhejiang e da cidade de Xiamen”, adianta o balanço.

Uma delegação empresarial a Moçambique, Angola e Portugal foi organizada conjuntamente pela Secretaria para a Economia e Finanças do governo da RAEM e vice-ministro do Comércio da China, Jiang Zengwei.

Quanto a visitas recíprocas de alto nível, foram 110 ao todo, das quais 16 ao nível de chefes de Estado, “tornando-se 2009 o ano em que se registou a maior frequência de visitas de alto nível desde a 2ª Conferência Ministerial do Fórum Macau, em 2006”.

“As visitas mútuas demonstram a importância das nossas relações e o elevado grau de entendimento existente entre os nossos Governos, potencializando cada vez mais a actuação de Macau enquanto plataforma de ligação”, refere o documento.

O Secretariado prestou apoio na participação e na organização do Fórum para o Estudo e Desenvolvimento de Intercâmbio de Biocombustíveis e Energias Renováveis e em iniciativas do governo como a 14ª Feira Internacional de Macau e a Conferência dos Governadores dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa.

Ao nível da cooperação, até Novembro do ano passado 276 quadros técnicos dos países lusófonos receberam formação em Macau e na China.

A cooperação abrange ainda os projectos do Instituto das Relações Exteriores em Angola, Estádios Nacionais em Cabo Verde e em Moçambique, Hospital Geral do Exército Militar e Complexo Administrativo na Guiné-Bissau, Centro-Piloto de Técnicas Agrícolas em Moçambique, Residência Militar em Timor-Leste, entre outros.

Internamente, o ano 2009 ficou marcado para o Secretariado Permanente pelo início de funções do novo Secretário-Geral, Chang Hexi. (macauhub)

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