Moçambique precisa de investir 60 milhões de dólares para aumentar produção de castanha de caju

29 April 2010

Maputo, Moçambique, 29 Abr – Moçambique terá de investir 60 milhões de dólares para voltar a recuperar os valores de produção de castanha de caju alcançados até finais da década de 70, quando atingia mais de 200 mil toneladas/ano, afirmou o director-adjunto do Instituto Nacional do Caju (Incaju).

Face aos constrangimentos financeiros, Raimundo Mathule adiantou ser utópico pensar que Moçambique pode voltar, a curto ou médio prazos, a ocupar uma posição privilegiada na produção mundial da castanha de caju, que neste momento não atinge o mínimo de 100 mil toneladas/ano necessário para viabilizar qualquer indústria do sector.

“Moçambique não tem a mínima capacidade de fazer isso, ou seja, o país não tem recursos financeiros para investir 60 milhões de dólares na produção”, admitiu Raimundo Mathule, director-adjunto do Incaju, instituição que, entretanto, está a apostar forte na produção de mudas para a substituição dos cajueiros já envelhecidos.

De acordo com o diário Notícias, de Maputo, Raimundo Mathule frisou que “em menos de 10 anos não vamos voltar a atingir as 215 mil toneladas que Moçambique produziu quando o país tinha árvores com idades variando entre 10 e 20 anos no máximo”.

Moçambique durante a década de 70 chegou a ser considerado o maior produtor mundial de caju, mas em finais dos anos 80 o sector começou a registar uma redução drástica devido a factores relacionados com o clima, envelhecimento dos cajueiros e ainda ao aparecimento de pragas e doenças, num cenário que acabou atingindo o colapso na década de 90, na sequência da execução de políticas desajustadas recomendadas pelo Banco Mundial, um dos principais parceiros do governo. (macauhub)

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