Procura chinesa ajuda indústria de diamantes de Angola

24 May 2010

Luanda, Angola, 24 Mai – O mercado angolano de diamantes reanimou-se nos últimos meses, depois da crise internacional de 2009, devido à procura dos mercados emergentes, em particular da China, que já é o maior comprador das pedras preciosas angolanas.

De acordo com a empresa diamantífera Espírito Santo Commerce (Escom), “a tendência de procura de longo prazo continua a apresentar boas perspectivas de sucesso” para Angola.

“A procura será conduzida pela eventual recuperação dos Estados Unidos e pelo crescimento impulsionado pela China e Índia”, referem previsões recentemente divulgadas pela empresa.

A quota de mercado da China, refere, vai duplicar, e a procura por parte da Índia deverá crescer 10 por cento até 2015, pelo que estes mercados de exportação “vão contribuir para um virar de página”.

A Escom participa no projecto Luó, em parceria com a diamantífera russa Alrosa, enquanto a Escom Kimberlites detém interesses do grupo nas 14 concessões (8 kimberlitos e 6 aluviões) adjudicadas pelo Estado angolano.

No ano passado, a China passou a ser o principal comprador da produção de diamantes de Angola, ultrapassando os Estados Unidos da América.

Este aumento da venda de diamantes à China é em larga escala atribuído à sua utilização em transacções de tipo “barter” – diamantes em troca de bens – ou na amortização da dívida de Angola, segundo a “newsletter” África Monitor.

Os Estados Unidos da América foram, segundo a Endiama, o principal destino dos diamantes de Angola entre 2006 e 2008, com o preço do quilate a variar entre 87 e 154 dólares.

Em finais do ano passado, o sector mineiro dispunha de 45 projectos de prospecção de depósito primário de diamantes, ocupando uma área de 107 mil quilómetros quadrados. A mina de Catoca, situada na província da Lunda Sul, é a quarta maior do mundo de onde se extrai anualmente, em média, cerca de 500 milhões de dólares em diamantes, mas, em 2009, este valor ficou pouco acima dos 430 milhões devido à crise.

Devido a uma quebra sem precedentes no preço das pedras preciosas, a crise do mercado diamantífero internacional levou à paragem de produção em muitos projectos diamantíferos angolanos.

“O financiamento disponível para transacções no sector tornou-se escasso, provocando a inevitável saída de empresas do mercado. A procura diminuta de diamantes em bruto por parte dos clientes tradicionais, e consequente queda de preço, provocou a suspensão e encerramento de muitas unidades de produção em todo o mundo”, refere a Escom.

Os preços no mercado informal angolano, refere, terão descido entre 65/70 por cento para as pedras acima dos 5 quilates e 50/55 por cento para as pedras menores.

“Em Angola, foi-se notando uma descida significativa dos preços oferecidos pelos diamantes em bruto, facto que começou a pôr em causa a viabilidade e continuidade de alguns projectos”, adianta.

Um destes projectos, a Sociedade Mineira do Lucapa (SML), anunciou na semana passada que vai reiniciar a exploração nos próximos dias, após 10 meses de paralisação.

Actualmente, cinco países são responsáveis por mais de 80 por cento da produção mundial em valor, com o Botswana a produzir 28 por cento, a Rússia 20 por cento e Angola cerca de 10 por cento. (macauhub)

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