China com interesse “renovado” no Brasil

31 May 2010

Macau, China, 31 Mai – A China está a demonstrar um interesse “renovado” no desenvolvimento das relações com o Brasil e outros países sul-americanos, alargando-as do domínio da energia e matérias-primas a outras áreas estratégicas, afirma o investigador Russel Hsiao.

“Num cenário de crise financeira global, as actividades chinesas na América Latina tornaram-se notavelmente mais acentuadas”, sublinha, em artigo publicado na semana passada, o editor do boletim “China Brief”, da Fundação Jamestown, a propósito de vários negócios concretizados nas últimas semanas, em particular no Brasil.

O maior destes foi a venda pela empresa petrolífera norueguesa Statoil de uma participação de 40 por cento do campo de petróleo brasileiro Peregrino ao grupo chinês Sinochem, por 3,1 mil milhões de dólares, anunciada a 21 de Maio.

O Brasil tem vindo a ganhar importância enquanto fornecedor de petróleo à China, tendo Shu Shulin , presidente da Sinopec (Corporação Petrolífera e Química da China), revelado recentemente que a empresa comprará este ano à petrolífera brasileira Petrobras 7 milhões de toneladas de petróleo em rama.

Negócios semelhantes têm sido concretizados na Argentina e na Venezuela, outros importantes parceiros na região.

Em Novembro de 2009, a Petrobras contratou um empréstimo de 10 mil milhões de dólares a 10 anos com o Banco de Desenvolvimento da China, e em troca a empresa brasileira irá dar preferência a empresas chinesas na compra de bens e serviços e a pagar parte do crédito com as receitas provenientes da venda de petróleo à China.

Dependente de fontes de energia externas e vulnerável às variações do preço do petróleo, a China tem procurado diversificar os seus fornecedores, sublinha Russel Hsiao.

“Embora as importações energéticas da América Latina fiquem aquém das de outras regiões, os compromissos substanciais da China na Argentina e outras áreas são fortes indicadores da corrida que se avizinha”, afirma o editor do China Brief no seu artigo.

Actualmente, Rússia e Ásia Central, Médio Oriente e África são as regiões mais importantes para o fornecimento da economia chinesa.

Mas, para o investigador, “a presença da China não está confinada ao acesso a mercados e fontes de matérias-primas” e “também é estratégica”.

“Dado o nível de desenvolvimento relativamente sofisticado de Brasil e Argentina em vários sectores de alta tecnologia, não é surpreendente ver estes dois países tornarem-se pólos na corrida chinesa à região”, afirma, citando os casos da energia nuclear, indústria aeroespacial e telecomunicações.

A “profundidade da parceria estratégica da China com os países sul-americanos está a tornar-se clara à medida que Pequim ganha confiança e afirmação na condução da sua política externa” e essa maior proximidade, acrescenta Hsiao, terá implicações para Washington, tradicionalmente o maior parceiro da região.

A China, que em 2009 ultrapassou os Estados Unidos da América como o principal parceiro comercial do Brasil, manteve de Janeiro a Abril essa posição cimeira, de acordo com os dados de Brasília. (macauhub)

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