Processamento de gás natural em Timor-Leste será cinco mil milhões de dólares mais caro

7 June 2010

Sidney, Austrália, 7 Jun – O presidente da petrolífera Woodside, Don Voelte, afirmou que o processamento de gás natural em Timor-Leste custaria mais cinco mil milhões de dólares do que a opção da empresa por uma plataforma flutuante, noticiou sexta-feira a imprensa australiana.

O presidente da petrolífera que lidera o consórcio para explorar o gás natural do campo “Greater Sunrise” garantiu, de acordo com a imprensa australiana, que a alternativa de processar o gás em Timor-Leste, como exige o governo timorense, foi “exaustivamente estudada”, mas apresenta “riscos técnicos” e tem um maior custo de capital do que a plataforma flutuante.

“Descobrimos que não havia nenhum impedimento de ordem técnica para que o processamento do gás fosse feito em Timor-Leste. No entanto, tem maior custo de capital, cerca de cinco mil milhões de dólares, em comparação com a plataforma flutuante, e apresenta riscos técnicos”, disse Don Voelte numa conferência sobre recursos, em Sidney.

“A opção pela plataforma flutuante de GNL é a que tem maior robustez económica, maximiza a receita total para a Austrália e Timor-Leste e o retorno para o consórcio do Sunrise”, declarou.

Segundo os cálculos apresentados pelo presidente da Woodside, Timor-Leste ganhará cerca de 13 mil milhões de dólares com o desenvolvimento do projecto “Sunrise”, enquanto à Austrália, em cujas águas estão 82 por cento das reservas de gás a extrair, caberão 19 mil milhões, ao longo do tempo de vida do projecto.

Na sexta-feira, o porta-voz do governo de Timor-leste desmentiu que o processamento em terra do gás natural do campo “Greater Sunrise” seja cinco mil milhões de dólares mais caro do que numa plataforma flutuante.

Ágio Pereira, que é também secretário de Estado do Conselho de Ministros timorense, reagiu assim a declarações feitas por Don Voelte, presidente da petrolífera Woodside, classificando-as de “incompletas e enganosas”.

Segundo Ágio Pereira, a comparação entre os regimes fiscais demonstra que a unidade de processamento de gás natural em Timor-Leste é a opção economicamente mais atraente e a que oferece maior taxa de retorno comercial, com uma taxa de imposto aplicável de 10 por cento, além de encargos salariais mais reduzidos e menores custos de manutenção. (macauhub)

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