Potencial de negócios da China, através de Macau, pouco explorado pelas empresas portuguesas

28 June 2010

Porto, Portugal, 28 Jun – O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) apontou sexta-feira o “enorme potencial de negócios, ainda pouco explorado” que a China representa para as empresas portuguesas e destacou o papel que Macau pode desempenhar na cooperação empresarial.

De acordo com José António Barros, a “distância cultural” é o principal obstáculo ao relacionamento empresarial entre os dois países, surgindo a “cooperação com outras empresas” já presentes na China como a melhor solução e estando, a este nível, Macau “particularmente bem posicionado para desempenhar um papel de grande relevo neste tipo de estratégias de cooperação”.

“O conhecimento detido pelas empresas de Macau relativamente aos mercados do Oriente, e em particular ao da província de Guangdong, não pode continuar a ser menosprezado pelas empresas portuguesas que pretendem relacionar-se com a China e, em particular, com esta província”, afirmou Barros no seminário “Cooperação Económica, Comercial e Serviços entre Guangdong, Macau e Portugal”, que sexta-feira teve lugar na cidade do Porto.

Contudo, o presidente da AEP considerou que o relacionamento bilateral entre Portugal e Macau “não deixa de desiludir, dada a importância muito reduzida que apresenta na estrutura do comércio externo português”.

“Macau foi, em 2009, o 72.º cliente de Portugal, com pouco mais de 12 milhões de euros exportados e o 143.º fornecedor, com importações de apenas 350 mil euros. A estrutura das nossas exportações para Macau, com os produtos alimentares a pesarem mais de metade do total, mostra bem o quanto o comércio bilateral está marcado pela inércia do passado”, sustentou.

Para Barros, estes números não reflectem as potencialidades da economia portuguesa e do seu posicionamento “enquanto porta de entrada na Europa”, tal como não evidenciam “as potencialidades de Macau e do seu posicionamento como porta de entrada na China e em todo o Oriente”.

Apesar de nos últimos cinco anos as exportações portuguesas para a China terem aumentado a uma taxa anual média de 17 por cento, tendo recentemente acelerado “significativamente, ao ponto de a China ter sido o destino onde se registou a mais forte taxa de crescimento das exportações portuguesas (32 por cento), o presidente da AEP salientou que, “mesmo assim, não chegam ainda a um por cento do total das exportações portuguesas”.

O chefe da delegação empresarial da província de Guangdong, Wu Jun, destacou a importância económica do Grande Delta do Rio das Pérolas (região que integra Macau, Hong Kong e Guangdong e outras cidades chinesas), cujo produto interno bruto (PIB) é 1/10 do PIB chinês e onde há “um ambiente de investimento muito favorável”. (macauhub)

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