Passagem de Moçambique a país de rendimento médio vai alterar modalidade de obtenção de crédito

23 July 2010

Maputo, Moçambique, 23 Jul – Moçambique vai tornar-se “dentro de alguns anos” um país de rendimento médio, um estatuto que vai obrigar ao recurso a créditos não-bonificados, ou seja, a juros de mercado, alertou quinta-feira em Maputo o vice-ministro das Finanças, Pedro Couto.

À margem de um encontro com o director executivo do FMI para África, Samuel Itam, que efectua uma visita a Moçambique desde segunda-feira, o vice-ministro moçambicano das Finanças afirmou nessa altura o país terá de contrair empréstimos não-bonificados considerando os programas de investimento que devem ser levados a cabo”, realçou Pedro Couto.

Depois de ter ultrapassado 5 mil milhões de dólares, a dívida externa de Moçambique é actualmente de cerca de 1,3 mil milhões de dólares, por ter beneficiado de vários perdões da dívida no quadro de programas como a Iniciativa de Perdão da Dívida dos Países Altamente Endividados (HIPC).

As instituições financeiras internacionais, nomeadamente o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, têm desencorajado o governo de Moçambique de recorrer a créditos de mercado, como forma de manter a dívida pública num nível sustentável.

Mas nos últimos tempos, o governo moçambicano terem afirmado ser inevitável endividar-se no mercado, recorrendo a credores bilaterais, para poder financiar o que designa de “terceira geração de investimento nas infra-estruturas”.

Para se poder financiar, o governo moçambicano tem contornado a vigilância do BM e do FMI, em relação ao nível do endividamento, recorrendo a empréstimos internos, principalmente através da emissão de bilhetes de tesouro. (macauhub)

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