Abate excessivo de árvores em Moçambique ameaça exploração comercial das florestas

4 November 2010

Maputo, Moçambique, 5 Nov – A exploração comercial de algumas espécies de madeira em Moçambique ultrapassa já o corte anual admissível (CAA), facto que ameaça a sustentabilidade dessas espécies, revelou uma auditoria citada pelo diário Notícias, de Maputo.

Efectuada pela empresa Eurosis a pedido da Inspecção-Geral de Finanças, a auditoria revelou que espécies como o mondzo, messassa, jambire e chanfuta, que constituem 58 por cento do volume global abatido, encontram-se sob muita pressão, que é ainda maior se se considerar a exploração de material lenhoso para fins energéticos.

De acordo com a auditoria, aplicando a estimativa conservadora de 2,7 milhões de m3 de material lenhoso convertido em carvão, o volume extraído é quase seis vezes o corte anual admissível.

O corte anual admissível (CAA) expressa a capacidade de produção duma floresta, isto é, o que pode ser extraído sem se prejudicar a sua capacidade de reposição e, na situação actual, o corte não permite a reposição pela regeneração e crescimento naturais.

Segundo o estudo, caso não se tomem medidas para inverter o corte em excesso, atingir-se-á uma situação em que o recurso ficará exausto daí derivando uma perda de receitas para o Estado.

De acordo com o inventário florestal de 2007, o CAA é de 515,7 mil m3 por ano e aquelas quatro espécies ocupam apenas 25 por cento do “stock” comercial, o que implica que o corte anual se situe em 132,6 mil m3.

As conclusões da auditoria apontam para importantes desvios entre as normas e as práticas na operação dos serviços florestais de tal sorte que os dados apresentados nos relatórios da Direcção Nacional de Terras e Florestas não são consistentes em relação ao volume de madeira em toros extraído, exportado e transformado. (macauhub)

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