Comércio entre a China e os países de língua portuguesa deverá atingir 100 mil milhões de dólares até 2013

13 November 2010

Macau, China, 13 Nov – A China e os países de língua portuguesa deverão trabalhar para impedir o proteccionismo comercial e para que o comércio bilateral atinja 100 mil milhões de dólares até 2013, afirmou hoje em Macau o primeiro-ministro da China.

Ao discursar no primeiro de dois dias de trabalhos da 3ª conferência ministerial do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa, Wen Jiabao garantiu que a China deseja importar ainda mais dos países de língua portuguesa e que vai conceder isenção de direitos alfandegários para a grande maioria das mercadorias importadas dos países de língua portuguesa de África e da Ásia.

As trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa situaram-se em 68,22 mil milhões de dólares de Janeiro a Setembro, com um crescimento homólogo de 56,70 por cento, pelo que deverão, pelo menos, atingir 90 mil milhões de dólares no final do ano.

Referindo-se a Planos de Acção na Cooperação Económica e Comercial que serão adoptados nesta 3ª conferência, Wen Jiabao acentuou que deve haver uma promoção do investimento entre a China e os países de língua portuguesa e disse mesmo que, quando comparado com o valor alcançado no comércio, “não conseguimos aproveitar plenamente as potencialidades do investimento bilateral”.

“Devemos melhorar a lei relativa a investimentos, remover barreiras a esse mesmo investimento, elaborar tratados bilaterais de protecção do investimento e de dupla tributação a fim de que se consiga um aumento substancial com a maior brevidade”, afirmou o primeiro-ministro da China.

De seguida mencionou a necessidade de se explorar novas áreas de cooperação, que não deve ser limitada às áreas tradicionais, e salientou que os países de língua são, por exemplo, ricos em recursos turísticos.

A China, prosseguiu, vai promover os recursos turísticos dos países de língua portuguesa e fazer com que mais alguns destes países obtenham o estatuto de Destino Aprovado para turistas chineses e, neste âmbito, referiu a necessidade de os governos envolvidos criarem condições e apoiarem as empresas no estabelecimento de redes logísticas convenientes e na abertura de mais ligações aéreas directas.

“A cooperação financeira deve ser aprofundada, devemos encorajar a abertura de sucursais dos bancos em cada um dos países no sentido de apoiar a cooperação económica e comercial”, disse, para mencionar ainda a necessidade de expandir a cooperação em áreas como a educação, cultura, saúde ou desporto.

Finalmente, o primeiro-ministro chinês referiu-se ao papel de Macau como a plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa, dizendo que o território dispõe de infra-estrutura perfeita, um sistema sofisticado de serviços financeiros, um ambiente livre e aberto para a realização de negócios, dispondo ainda de muitos profissionais que se expressam tanto em chinês como em português.

“O governo da China dá apoio total ao intercâmbio económico e comercial entre Macau e os países de língua portuguesa e encoraja as empresas chinesas a servirem-se da plataforma de Macau para a realização de contactos e negócios com os seus parceiros daqueles países”, acentuou.

Por último, Wen Jiabao defendeu que o governo da Região Administrativa Especial de Macau deve continuar a desempenhar esse papel de plataforma e a fornecer serviços de qualidade para a obtenção dos objectivos do Fórum Macau como a ponte para negócios e cooperação entre a China e os países de língua portuguesa. (macauhub)

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