Governo de Moçambique intervirá se brasileira Vale e indiana RITES não chegaram a acordo

15 November 2010

Maputo, Moçambique, 16 Nov – O governo de Moçambique intervirá caso falhem as negociações entre a brasileira Vale e a indiana RITES para a utilização da linha de caminho-de-ferro do Sena, afirmou em Maputo o ministro dos Transportes e Comunicações.

De acordo com o diário Notícias, de Maputo, Paulo Zucula disse que o processo encontra-se ainda numa fase de negociações em que estão apenas envolvidas as empresas interessadas.

Mas garantiu que o governo está atento e precisou que “em momento algum vamos pôr em causa os interesses do Estado pelo que se as duas empresas não chegarem a acordo o governo vai intervir”.

O ministro informou também terem sido mantidas conversações com o governo da Índia no sentido de alterar a postura do grupo estatal RITES na gestão da linha ferroviária do Sena e de proceder a um aumento de capital.

Na passada semana, o presidente da Vale afirmou em Maputo que o grupo estava a encontrar dificuldades nas negociações com a concessionária indiana RITES para a utilização da linha ferroviária do Sena para o escoamento do carvão de Moatize, província de Tete.

Em declarações ao jornal moçambicano O País, após um encontro entre o Presidente do Brasil Lula da Silva e representantes das empresas brasileiras a operar em Moçambique, Roger Agnelli disse haver “má vontade” da parte dos concessionários da linha férrea de Sena.

O presidente da Vale reconheceu que a falta de consenso nas negociações com a empresa estatal indiana pode comprometer o início de operação do projecto de exploração de carvão, na medida em que, numa primeira fase, só a linha de Sena estará disponível para o escoamento da produção de Moatize.

Roger Agnelli revelou que o desacordo prende-se com as tarifas, alegadamente incomportáveis, que a empresa indiana está a exigir para assegurar o escoamento do carvão de Tete. (macauhub)

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