Reconstrução da linha de caminho-de-ferro do Sena, Moçambique, não satisfaz padrões de qualidade

9 February 2011

Maputo, Moçambique, 9 Fev – O presidente da empresa estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique afirmou que nenhum dos 554 quilómetros da reconstruida linha de caminho-de-ferro do Sena satisfaz os padrões de qualidade definidos no contrato de concessão.

De acordo com o diário Notícias, de Maputo, Rosário Muleia percorreu a linha em toda a sua extensão ao longo dos últimos dois dias tendo, no momento do balanço, dito não acreditar que o consórcio indiano vá a tempo de corrigir os erros e omissões a fim de evitar o cancelamento do contrato de concessão do sistema.

O consórcio indiano Ricon, constituído pelas empresas estatais Rites e Ircon, ganhou o concurso internacional lançado em 2004 para gerir o sistema de caminhos-de-ferro do centro, que consiste nas linhas de Machipanda, da Beira ao Zimbabué, e do Sena, da Beira até à bacia carbonífera de Moatize, na província de Tete.

Na ocasião, foi constituída a Companhia de Caminho de Ferro de Beira, em que o consórcio indiano detém uma participação de 51 por cento, sendo os restantes 49 por cento assegurados pela Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique.

A mais grave das deficiências detectadas por Rosário Mualeia tem a ver com o processo de colocação de balastro em vários troços da linha que, além de forçar a redução das cargas transportadas, causou desníveis que, a serem ignorados, podem provocar o descarrilamento dos comboios.

O presidente da Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique mencionou igualmente a falta de valas de drenagem que poderão fazer com que as águas pluviais invadam a via, arrastando solos, contaminando o balastro ou mesmo causando a sua movimentação.

A empreitada na linha de Sena incluía ainda a reconstrução de 17 estações ferroviárias, bem como a construção e/ou recuperação de residências para o pessoal das operações, trabalho que apenas foi concluído em duas.

Em Caia, por exemplo, as obras de construção do novo edifício da estação foram iniciadas em Agosto de 2010 mas até segunda-feira não passavam das fundações.

“A minha maior infelicidade no final da visita é não ter podido ver um único quilómetro, dos 554 da extensão da linha, em condições de responder aos padrões estabelecidos no contrato”, disse a concluir Rosário Mualeia. (macauhub)

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