Atrasos na reconstrução da linha ferroviária do Sena, Moçambique, devidos a modelo imposto pelo Banco Mundial

10 February 2011

Maputo, Moçambique, 10 Fev – O modelo imposto pelo Banco Mundial para libertar 104,5 milhões de dólares para financiar a reconstrução da linha ferroviária do Sena fez com que a estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) fosse marginalizada, afirmou o presidente da empresa.

De acordo com o diário Notícias, de Maputo, Ricardo Mualeia disse terça-feira em Tete que o consórcio indiano Ricon, que controla 51 por cento do capital da empresa gestora do Sistema Ferroviário do Centro, nunca permitiu que a CFM desse o seu contributo para a execução da obra, embora respondesse, em representação do Estado, pelos restantes 49 por cento do capital da Companhia de Caminhos de Ferro da Beira (CCFB).

O modelo imposto pelo Banco Mundial, de acordo com Mualeia, estabelecia que o accionista maioritário na sociedade gestora do sistema ferroviário do centro devesse ser o privado que, por força disso, devia estar à frente de toda a componente executiva do projecto, sobrando para o parceiro minoritário, na sua condição de Estado, apenas o papel de fazer o acompanhamento dos processos, sem nenhuma participação activa tanto nas obras como na tomada de decisões importantes relativas ao empreendimento.

O consórcio indiano ficou com a responsabilidade de realizar e gerir os trabalhos no terreno, desde as obras de renovação da linha, passando pela administração do projecto até à própria fiscalização da obra.

Face aos problemas que têm vindo a marcar a obra de reconstrução da linha de caminho-de-ferro do Sena, o Conselho de Ministros decidiu que caso a Ricon não conclua os trabalhos até 24 de Março próximo a concessão do Sistema Ferroviário do Centro será anulada e a gestão entregue à empresa CFM. (macauhub)

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