Acordo com Guangdong abre a Macau área de potencial desenvolvimento três vezes superior à sua dimensão actual

6 March 2011

Pequim, China, 7 Mar – O acordo de cooperação domingo assinado em Pequim entre Macau e a província de Guangdong abre à Região Administrativa Especial de Macau uma área de potencial desenvolvimento mais de três vezes superior à sua dimensão actual, de 29,5 quilómetros quadrados.

O acordo-quadro, válido até 2020, tem o centro da sua execução na ilha de Hengqin, com 106 quilómetros quadrados situada em frente às ilhas da Taipa e de Coloane e onde está já definida a instalação de três projectos de Macau, ou com a participação de Macau, como o novo “campus” da Universidade ou o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa.

Apesar de se manter sob a lei chinesa, como está previsto no acordo e com excepção do “campus” da Universidade de Macau, a ilha de Hengqin será alvo da atenção de Macau e da província de Guangdong em diversas áreas, a fim de melhorar a vida das populações da região através da aplicação de um conjunto de medidas.

O texto do acordo prevê não só facilidades na passagem na fronteira, “abrindo” a ilha à população de Macau, como define que as duas partes vão trabalhar na abertura permanente das fronteiras, evitando assim qualquer barreira a quem vive ou trabalha já em solo chinês.

“Dentro de algum tempo, os habitantes de Macau poderão circular na ilha de Hengqin, inclusivamente levando os seus próprios automóveis e usufruir de todas as infra-estruturas que forem sendo desenvolvidas naquele local, abrindo-se assim à sociedade um espaço que é três vezes maior do que Macau e criando oportunidades de desenvolvimento para a cidade que nunca foi possível concretizar”, disse Alexis Tam, porta-voz do governo de Macau e chefe de gabinete do chefe do executivo, à agência noticiosa portuguesa Lusa.

As partes pretendem, por outro lado, potenciar uma rede regional de transportes tanto terrestres como marítimos e aéreos, acelerar a execução das obras da ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai (que estará completa em 2016), criar ligações à linha ferroviária e à auto-estrada Guangdong-Zhuhai, aumentar a capacidade da fronteira das Portas do Cerco e adaptar outros postos fronteiriços a funções específicas.

No sector da educação, não é apenas o novo “campus” da Universidade de Macau alvo de atenção, já que o acordo prevê também o desenvolvimento de acções de formação profissional em áreas como o turismo, hotelaria, convenções e exposições e design criativo.

O chefe do executivo de Macau, Fernando Chiu Sai On, apelou à população e à comunidade empresarial do território para que “aproveitem as oportunidades de desenvolvimento” criadas com a assinatura do acordo-quadro de cooperação com a província de Guangdong.

“O governo de Macau pretende incentivar os diversos sectores e a população em geral a aproveitarem as oportunidades de desenvolvimento que se apresentam”, disse Chui Sai On, ao salientar que “a par das medidas de execução que, em breve, serão aperfeiçoadas conjuntamente com a província de Guangdong, o governo decidiu criar um grupo de trabalho interdepartamental para a promoção de uma execução eficaz do acordo”.

O acordo Macau/Guangdong foi assinado em Pequim por Fernando Chui Sai On em nome do governo de Macau e por Huang Huahua, governador da província de Guangdong, numa cerimónia que decorreu no Palácio do Povo com a presença de Xi Jinping, vice-Presidente chinês. (macauhub)

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