Brasileira Vale vai utilizar parte do sistema ferroviário do Malawi para escoar carvão de Moçambique

19 April 2011

Maputo, Moçambique, 20 Abr – O grupo brasileiro Vale e o governo do Malawi assinaram segunda-feira um documento visando a utilização de parte da infra-estrutura ferroviária do Malawi no âmbito da construção de uma linha de caminho-de-ferro para escoar o carvão a ser extraído em Moatize, de acordo com o diário Notícias, de Maputo.

O memorando de entendimento, assinado em Lilongwe, capital do Malawi, enquadra-se na construção de uma linha entre Moatize, província de Tete, centro de Moçambique e o porto moçambicano de Nacala, no norte, pelo caminho mais curto, atravessando o sul do Malawi.

Este projecto pretende contornar os problemas surgidos com a linha ferroviária do Sena, entre Moatize e o porto da Beira, no centro, incapaz de escoar o grande montante de exportações previstas pela Vale e outras empresas mineiras na região.

A linha de caminho-de-ferro para Nacala, avaliada em 1,5 mil milhões de euros, terá um comprimento de 900 quilómetros mas, passando pelo Malawi, utilizará a já existente infra-estrutura ferroviária.

Desde que se iniciaram os estudos para a exploração do carvão de Moatize, a Vale sempre equacionou a possibilidade de construção de uma linha de caminho-de-ferro para o escoamento do mineral, tendo posteriormente desistido por a alternativa mostrar-se mais onerosa em relação à linha de Sena.

A meio da reconstrução da linha de Sena, a Vale integrou a estrutura accionista do Corredor do Norte, um sinal claro de reconsideração da sua decisão de abandonar o transporte de carvão via Nacala.

A Vale deve começar com a exportação de carvão nos próximos meses e, no pico de produção, o projecto Moatize terá uma capacidade nominal de produção de 11 milhões de toneladas por ano, dos quais 8,5 milhões de toneladas serão de carvão metalúrgico e 2,5 milhões de toneladas de carvão térmico.

No quadro dos seus investimentos em Moatize, a Vale está a construir uma das maiores unidades de processamento de carvão do mundo, com capacidade para 26 milhões de toneladas por ano, quantidade que permite àquela companhia viabilizar a ideia de expandir o projecto para além do actual domínio de exploração. (macauhub)

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